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Mortes de pacientes em hospital de Guaçuí serão investigadas

Segundo o MPES, um paciente que faz tratamento no hospital denunciou as mortes e várias irregularidades no atendimento

Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí
Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí
Foto: Divulgação

As mortes de 22 pacientes do setor de hemodiálise da Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí, região do Caparaó, serão investigadas pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça do município. A Justiça pediu nesta quarta-feira (15) a instauração de um inquérito policial para apurar os casos.

Segundo o MPES, um paciente que faz tratamento no hospital denunciou as mortes e várias irregularidades no atendimento, como demora na realização do procedimento de filtragem do sangue e máquinas com defeitos que ficam sem uso por vários dias.

A medida adotada é um desdobramento da Operação Carro de Boi, deflagrada na terça-feira (07), com objetivo de desarticular um esquema irregular de contratos de prestação de serviços envolvendo o hospital, destinados ao funcionamento da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e ao setor de hemodiálise.

Onze pessoas, entre médicos, empresários, provedores e ex-provedores do hospital foram presas na operação. Após a deflagração da operação, o denunciante procurou a Promotoria de Justiça de Guaçuí e revelou a situação do setor de hemodiálise, informando que, somente no ano passado, 16 pacientes morreram. Nesse ano, outras seis mortes foram registradas.

O MPES espera que a apuração da Polícia Civil seja concluída em 30 dias. Após a investigação policial, se comprovada as mortes por ineficiência no atendimento da hemodiálise, os proprietários da empresa que presta o serviço serão responsabilizados pelos óbitos.

Uma audiência pública será realizada no dia 27 de junho, às 19h, na sede da Promotoria de Justiça de Guaçuí, para tratar das irregularidades apuradas na Santa Casa do município.

ESQUEMA

A Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí, instituição sem fins lucrativos, realizou convênios com a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) e por meio desses convênios recebe verbas públicas para prestação de serviços de UTI e hemodiálise.

No entanto, conforme constatado nas investigações do MPES, a unidade celebrou quatro contratos de prestação de serviços com sociedades empresariais, transferindo integralmente o objeto do convênio firmado com o poder público para a iniciativa privada, o que é ilegal.

As empresas contratadas pertencem a médicos que foram presos por envolvimento no esquema.

As apurações constataram ainda que, objetivando o máximo de lucro, as empresas de UTI desligavam os aparelhos de ar-condicionado para economizar, impondo sofrimento aos pacientes. Além disso, misturavam lixo hospitalar com lixo comum, para diminuir as despesas.

Dos onze presos, dois foram liberados: o ex-provedor da Santa Casa Renato Monteiro Pinho e o médico Waldir de Aguiar Filho.

A assessoria da Santa Casa foi procurada pela reportagem. A informação foi que a unidade não havia tido acesso às denúncias e, por isso, no momento não iria se manifestar sobre o caso. 

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