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Ruínas: casas do Sítio Histórico de Muqui ameaçam cair

Imóveis são tombados pelo Estado. Dois imóveis, conhecidos como 'Casas Amarelas' deveriam ter sido reformadas e se tornariam museu

Casas amarelas em Muqui podem cair
Casas amarelas em Muqui podem cair
Foto: Divulgação

Duas residências no Centro do Sítio Histórico de Muqui, no Sul do Estado, podem estar com dos dias contados. As estruturas dos imóveis, tombados pelo Estado, ameaçam cair. Compradas pelo governo em 2009, as antigas 'casas amarelas', como são popularmente chamadas, deveriam ter sido reformadas e se tornariam museu. Porém, até hoje nada saiu do papel.

As casas estão na Rua João Jacinto, no bairro Boa Esperança, região central de Muqui. Atualmente, o lote está tomado pelo mato, as paredes já estão escoradas com madeira e segundo moradores, o local é usado até mesmo por usuários de drogas.

Casas amarelas em Muqui podem cair
Casas amarelas em Muqui podem cair
Foto: Divulgação

O imbróglio envolvendo os imóveis completou uma década. Em 2009, o governo do Estado desapropriou os imóveis e eles foram doados à Associação dos Ex-Alunos do Colégio de Muqui, uma entidade sem fins lucrativos.

Na época, já estavam em péssimo estado de conservação e precisariam de uma reforma. Anos depois, em 2012, um edital possibilitou um projeto de reestruturação das casas. Um dos arquitetos, Genildo Coelho, explica que o estudo está desatualizado, uma vez que o tempo degradou ainda mais as estruturas.

Casas amarelas em Muqui podem cair
Casas amarelas em Muqui podem cair
Foto: Divulgação

A obra custaria R$ 2 milhões. “Naquela época já era ruim. Nos laudos, antes do restauro, precisaria de um escoramento urgente. A garantia da empresa era de 6 meses neste serviço. Hoje o estado é muito pior e correm risco de cair. Será uma perda de dois importantes patrimônios não só para Muqui, mas para o Estado, que gastou um dinheiro e terá que fazer de novo”, conta o arquiteto.

MUSEU

Desapontada com a situação, a tradutora e memorialista Sandra Maria Cirillo Lourenço encampa nas redes sociais a divulgação da situação das Casas Amarelas. Sua intenção é mobilizar a população e buscar respostas das autoridades e impedir o pior – que as casas caiam e provoquem um acidente.

O caso chegou ao conhecimento da Justiça depois que a associação denunciou ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Foi determinado que o Estado fizesse o escoramento dos imóveis e isentou os donos de possíveis acidentes na área.

“O Estado recorreu da decisão. Vai demorar mais quantos anos? E se cair uma telha e matar uma pessoa?. A promotoria isentou a associação que já fez de tudo, denunciou a Defesa Civil. Não tenho mais o que fazer. Virou ponto de usuários de drogas, focos de dengue. É uma tristeza”, conta Sandra Maria Cirillo Lourenço.

A intenção de Sandra era de que o espaço se tornasse um museu par ao município com antigas peças da época da antiga escola dos ex-alunos. O acervo, revela, está encaixotado há 15 anos. “O uso pode ser para qualquer coisa, porque o museu seria o segundo passo, depois da recuperação das casas”, comenta.

OUTRO LADO

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) informou que, com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), está recorrendo para suspender a liminar. Informou que a Administração Pública Estadual está adotando medidas contínuas de reparação emergencial dos imóveis, tendo inclusive superado a quantidade de itens requisitados pelo Ministério Público em sua ação.

A secretaria afirmou ainda que tem total interesse do Estado em preservar o patrimônio e que obras públicas dessa natureza são de competência exclusiva do Poder Executivo. “Ressalte-se ainda que o convênio inicialmente firmado entre o município de Muqui e o Estado fora desfeito pela prefeitura de Muqui, o que dificultou o trâmite burocrático para a execução das obras”, diz a nota.

Questionada sobre o assunto, o secretário de Cultura de Muqui, José Gabriel da Silva Araújo, disse que a situação atual é preocupante. Ele afirma que existe um processo judicial contra o Estado, e uma notificação da Defesa Civil em relação ao risco iminente de cair colocando em risco o patrimônio público histórico e também a segurança dos munícipes.

O secretário revela ainda que tentou um convênio no ano de 2018, mas o governo estadual havia paralisado todas as propostas de convênio. Houve outras tentativas de pleitear a obra, mas não há previsão de reforma.

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