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Artigo do leitor

Foram disseminadas expectativas ilusórias. Mas também mexeram com expectativas de projetos de vida e intensificaram o descrédito político

Recebi na terça passada, com satisfação, mensagem de um leitor de A GAZETA residente em Mimoso do Sul. Apresentava uma lista de projetos privados e públicos, “veiculados em todas as mídias”, que ficaram ou seguem no papel no Estado do Espírito Santo. Fazia uma síntese: “factóides” - e solicitava que eu relembrasse esse tema. Aceitei, de pronto.

Quem não se lembra de retratos de reuniões políticas com investidores em Palácio, de maquete, ou, recentemente, de apresentações computadorizadas multicoloridas? Cada um(a) se recorda, sem muita dificuldade, de um rol de “micos” que vem de longa data. Talvez dê até uma tese ou uma série: o que foi sem ter sido no Estado.

Como expõe o leitor, esses projetos, muitos deles risíveis hoje, tiveram um ponto em comum na divulgação: a “grande geração de empregos” – e de especulações. Números estrondosos. Se fossem somados todos os supostos empregos que se dizia que seriam gerados, o total certamente ultrapassaria o mercado de trabalho existente.

Foram disseminadas expectativas ilusórias. Mas, como deixa a entrever o leitor atento, também mexeram com expectativas de projetos de vida e intensificaram o descrédito político.

Não sei se há ainda tempo hábil de dar entrada no Procon de pedidos de indenizações por propaganda enganosa. Poderiam, talvez, se consideradas procedentes, afetar o “ajuste fiscal” por conta da magnitude do número de projetos que estão na estória.

Começa a lista do leitor pela “indústria chinesa de Anchieta” – que deu um “Babao”. Consultei também a que publiquei no livro “Crescimento Destacado e Insustentabilidades”, terceiro volume da trilogia EStado em Questão (Edufes). Uma das constatações notadas é que há uma concentração naquele município: refinaria “árabe”, porto da Petrobras.

O leitor inclui também as “fábricas de carros”. Uma delas, a da Ford – que esteve em maquete no Espírito Santo -, foi implantada na Bahia – mostrando quão intensas são as interações com o vizinho Estado baiano.

Dos projetos governamentais, disparadamente, mobilidade urbana está na dianteira. É longa como os engarrafamentos a citação de projetos, incluindo inclusive os que apareceram em outra lista estruturante de outra coisa, talvez factóides faraônicos de outras coisas: quarta ponte, túnel, BRT ... Sobre ferrovia, o leitor faz um adendo interessante: há uma “totalmente abandonada” em Mimoso do Sul.

Com a palavra, o leitorado para despertar artigos estimulantes.

*O autor é professor da Ufes e especialista em políticas públicas

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