Notícia

Violência contra o médico: todos perdem

Até quando um médico terá que colocar, literalmente, sua vida em jogo para cuidar de seu povo?

*Otto Baptista

Nos últimos anos, o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, insistentemente, apontou os descasos contra a classe médica no seu ambiente de trabalho. Foram incansáveis campanhas apontando as péssimas condições de trabalho, falta de material necessário e indispensável para o exercício da função, situações amplamente insalubres em todos os municípios da Grande Vitória.

Infelizmente, apesar da nossa batalha diária para abrir os olhos da população e dos gestores públicos a respeito, principalmente, da violência contra o médico, o infortúnio aconteceu. A tragédia que nenhum de nós, da classe médica, gostaria de abordar: tivemos um profissional médico baleado em seu ambiente de trabalho.

As informações sobre o caso chegaram desencontradas pela imprensa. “A médica reagiu a um assalto”, alguns diziam; “a médica sofreu um atentado, foram quatro tiros alvejados contra sua cabeça”, outros insistiram. Entretanto, as informações sobre o caso tornam-se irrelevantes, visto que a única verdade que nos traria conforto seria que a médica sequer teria sido baleada. Que os profissionais médicos estão protegidos para o exercício de sua função, que existe guarda armada para garantir a segurança da população que habita uma unidade de saúde - sejam profissionais, funcionários e/ou pacientes. Infelizmente, mas não por falta de aviso do sindicato, um colega de profissão acabou sofrendo uma violência em seu ambiente de trabalho, um atentado contra sua vida.

Em meio a esse caos, a essa desesperadora tragédia, buscamos apoiar a família da profissional de medicina que colocava sua vida em risco diariamente para salvar a vida de seu próximo. Em meio a essa tragédia, questionamos os poderes públicos, qual a solução para este problema? Até quando um médico terá que colocar, literalmente, sua vida em jogo para cuidar de seu povo?

O Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, agora mais do que nunca, jamais cessará a busca pela segurança dos médicos em seus postos de trabalho. A violência está escancarada, a segurança já não existe e a população ficará desassistida até que as providências sejam tomadas. A ausência da dignidade para com os médicos, coloca-os frente a frente com seu juramento. De maneira brutal, foram colocados diante um do outro, dois semelhantes que juraram guardar respeito absoluto pela Vida Humana.

Que a dor conferida à categoria médica através do crime hediondo jamais seja esquecida. Nossos sinceros sentimentos à família de Milena Gottardi. A população é a classe médica imploram por socorro.

*O autor é presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo

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