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ANÁLISE: Estratégia das caravanas consolida Lula como favorito

Para especialista, Lula agora aposta em diferenciação. Se ficar no páreo, mais à frente retomará conciliação com segmentos adversários

Paulo Carlos Du Pin Calmon, cientista político (Universidade de Brasília)

Estratégia das caravanas consolida Lula como favorito
Estratégia das caravanas consolida Lula como favorito
Foto: Divulgação

Os resultados da pesquisa Datafolha do fim de semana apontam o ex-presidente Lula (PT) não apenas como o candidato preferido dos eleitores ao Palácio do Planalto, mas, possivelmente, consolidando-se nesse primeiro lugar e se distanciando, inclusive, do segundo colocado, o deputado Jair Bolsonaro. Lula permanece como favorito e está no exercício pleno do papel de candidato e de político que quer se mostrar viável ao eleitorado. Claro que paira sobre ele o risco condenação em segunda instância, mas o petista precisa, nesse momento de incerteza, de se apresentar como candidato viável, como político que discute as questões nacionais e que apresenta alternativas para as políticas públicas hoje propostas e implementadas.

À medida em que percorre os Estados, Lula se apresenta a grandes públicos ao lado de políticos influentes localmente; assim, consegue essa reafirmação, a despeito da maior dificuldade de se apresentar por outros canais - seja pela mídia, perante o Congresso ou até mesmo num encontro em Brasília. Ele recorre ao contato direto ao povo de maneira geral. E a verdade é que tem dado certo, na medida em que o ex-presidente mantém e consolida essa liderança e explora, muito espertamente, colégios eleitorais onde ele se apresenta com vantagem, porque é mais conhecido, porque tem eleitorado mais próximo a ele e às politicas do PT, porque as pessoas têm boa lembrança do legado dos governos dele.

Lula está tocando uma estratégia mais de se diferenciar do que está aí, e de se mostrar como alternativa. Num segundo momento, se consolidado como candidato preferido da população, ele vai tornando mais factível o diálogo, a conversa com outros segmentos
Paulo Carlos Du Pin Calmon, cientista político (UnB)

Portanto, Lula estende vantagens nesses nichos eleitorais. Neste momento, ele está tocando uma estratégia mais de se diferenciar do que está aí, e de se mostrar como alternativa. Num segundo momento, se consolidado como candidato preferido da população, ele vai tornando mais factível o diálogo, a conversa com outros segmentos que passam a reconhecer nele não apenas uma liderança, mas um candidato com grande potencial e assumir a Presidência da República. E aí ele pode se aproximar de uma postura mais conciliadora, amigável.

E Lula é um excelente negociador que demonstrou capacidade de se aproximar de diversos segmentos nacional e internacionalmente. Mas este é um momento de diferenciação, de dizer ‘eu sou uma alternativa’ descolada disso tudo. Contato direto com o povo é bom para Lula, que é muito carismático. É uma estratégia positiva e os números demonstram que tem dado certo.

 

 

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