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Apuração em paz no Sambão do Povo

Integrantes de algumas escolas prometiam um "acerto de contas" caso sua agremiação não ganhasse o carnaval.


A bota que Fabíola Monteiro usou no desfile da Boa Vista quebrou logo que a escola entrou na avenida, mas mesmo assim a majestade cruzou a linha amarela e reinou à frente da bateria Águia Furiosa. Fica a dúvida: seria a botinha um pé de coelho ou um amuleto da sorte que ajudou no campeonato da escola? A rainha se emocionou muito com o resultado!
A bota que Fabíola Monteiro usou no desfile da Boa Vista quebrou logo que a escola entrou na avenida, mas mesmo assim a majestade cruzou a linha amarela e reinou à frente da bateria Águia Furiosa. Fica a dúvida: seria a botinha um pé de coelho ou um amuleto da sorte que ajudou no campeonato da escola? A rainha se emocionou muito com o resultado!
Foto: Fábio Vicentini

Mais de dez anos depois de ter saído do principal palco da folia, a apuração do desfile das escolas de samba do Carnaval de Vitória voltou ao Sambão do Povo trazendo muitas lembranças, memórias de momentos icônicos, mas, por outro lado, muita apreensão por parte dos sambistas.

Integrantes de algumas escolas prometiam um “acerto de contas” caso sua agremiação não ganhasse o carnaval. Havia ameaças de diversos torcedores contra outras escolas. Diante disso, a memória do sambista era remetida diretamente à última apuração que aconteceu há anos naquele lugar, com cadeiras de plástico voando e integrantes de escolas “escalando” os alambrados. O medo existia, mas a apuração aconteceu em paz.

Parabéns às torcidas organizadas que compareceram com bexigas, faixas e cartazes, mas que também souberam perder. Para haver uma campeã, é preciso que outras escolas sejam vencidas.

A doce Maria Clara, ou Clarinha, como é mais conhecida no mundo do samba, deve estar feliz da vida com o campeonato da sua escola do coração, a São Torquato. Ela é filha do sambista Humberto Girão e está acostumada a arrancar sorrisos por onde passa. Dona de uma simpatia ímpar, Clarinha roubou a cena durante o desfile da escola na última sexta-feira, 22.
A doce Maria Clara, ou Clarinha, como é mais conhecida no mundo do samba, deve estar feliz da vida com o campeonato da sua escola do coração, a São Torquato. Ela é filha do sambista Humberto Girão e está acostumada a arrancar sorrisos por onde passa. Dona de uma simpatia ímpar, Clarinha roubou a cena durante o desfile da escola na última sexta-feira, 22.
Foto: Fernando Madeira

Penalidade

Podemos dizer que foi um carnaval em que as escolas de samba, antes de tudo, precisavam ter cumprido todos os pré-requisitos, ou não cometer nenhuma penalidade, para entrar na avenida sem descontos na pontuação e acabar perdendo “para si mesmas”, como aconteceu com a MUG e com a Chegou o que Faltava.

Na disputa do Grupo de Acesso A, a Chegou o que Faltava foi penalizada em um ponto por não ter colocado os carros alegóricos na concentração no horário previsto. A mesma escola perdeu o campeonato por apenas um décimo para a São Torquato. Se não tivesse sido penalizada, a Chegou subiria para o Grupo Especial com folga.

Recurso

O presidente da Chegou o que Faltava, Rafael Cavalieri, declarou que vai entrar com um recurso sobre a penalidade sofrida pela escola. Ele alega que não havia auxílio nem da equipe de concentração das ligas nem da Guarda Municipal para desviar o trânsito no horário de manobra dos carros da escola. A agremiação também declarou, no recurso apresentado à Lieses, liga que gerencia as escolas dos grupos A e B, que foi prejudicada pela circulação de um caminhão de água na concentração. Procurado por telefone, o presidente da Lieses, Edson Neto, não foi encontrado.

Penalidade 2

Já a MUG foi penalizada em 0,2 ponto por ter levado para a avenida camisas de apoios de destaques com propaganda comercial. Um erro que pode até passar numa escola menor, mas não na campeã 2018 do Carnaval de Vitória, que brigava pelo bicampeonato seguido e o oitavo campeonato de sua história. Se a MUG não tivesse sido penalizada, inclusive, teria sido campeã.

Bateria de quem?

As notas de um quesito incomodaram muito os sambistas, e esse foi justamente o último a ser lido. Os dois jurados das duas primeiras cabines do quesito bateria – Leo Carvalho e Helder Trefzger – deram 10 para todas as escolas. O sambista capixaba sabe que nem todas as baterias estão no mesmo nível técnico. Por dentro das baterias, um só comentário é dominante: quem entende de música erudita nem sempre entende de música de escola de samba. Para julgar bateria de escola de samba, é preciso viver a bateria de escola de samba.

Jurados de quem?

Muitos casos de negligência por parte dos jurados foram relatados à coluna por sambistas capixabas. Bailarinos de comissões de frente e até coreógrafos reclamaram que os jurados do quesito não prestavam atenção na dança que era executada em frente à cabine. Houve até relatos de uma comissão que se apresentou para oito jurados – exceto o que julgava este quesito. Outro relato partiu de casais de mestre-sala e porta-bandeira, que disseram que havia jurados deste quesito mais preocupados em assistir ao resto da escola passar pela avenida do que o bailado em frente à cabine. Em alguns casos, até mesmo o mestre de cerimônias, que apresenta o casal, teve que chamar a atenção do jurado. Papelão!

Sangue nos olhos

A coluna saúda Bruno Simpatia e Vanessa Benittez, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Boa Vista. Os dois vieram de um resultado insatisfatório no ano passado e quem viu o desfile da Águia presenciou o sangue nos olhos com que a dupla se apresentou na avenida. Eles tiraram duas notas 10 e um 9,8 na última cabine de jurados, nota que foi descartada por ter sido a menor do quesito. Parabéns!

Despedida

Esta é a última coluna deste carnaval. A você, querido leitor, que acompanhou as peripécias carnavalescas por esta coluna, agradeço pelo companheirismo e pela confiança. Já estamos ansiosos pelo próximo ano. Será que alguma escola já vai lançar o enredo na próxima semana? A dança das cadeiras está para começar!

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