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Ser mulher, sem medo

Esfaqueamento de diarista em plena luz do dia é mais um caso da covardia que ainda persiste contra as mulheres

Uma cena de esfaqueamento numa avenida movimentada, à luz do dia, é uma barbaridade em qualquer circunstância. Por ter sido uma agressão contra uma mulher, serve como a constatação de que atitudes covardes contra o sexo feminino não têm hora nem local determinado para acontecer. Nem mesmo o fato de estar numa via de intenso trânsito de pessoas e carros em Vitória, perto de um distrito policial, conseguiu impedir que a diarista Graciele Almeida fosse alvo da fúria de seu ex-marido, Max da Silva.

É exatamente essa dinâmica da violência contra a mulher que motivou a tipificação do feminicídio. Homens que não aceitam o fim do relacionamento, que impõem um vínculo de poder por meio da violência física ou psicológica. O crime, quando levado a cabo, é a expressão mais cruel do machismo e da misoginia, que precisam ser combatidos em sociedade.

23 casos

Foi o número de mortes confirmadas, até agosto passado, como feminicídio no Espírito Santo

No Código Penal, o feminicídio tornou-se crime hediondo em 2015, uma vitória para as mulheres. A lei é sem dúvidas um forte instrumento de intimidação. Contudo, atrocidades como o ataque à diarista continuam ocorrendo todos os dias. Qualquer mulher pode ser vítima, sem distinção de classe social. A violência motivada por questões de gênero, no ambiente doméstico, é ainda muito acobertada pelo silêncio e pela vergonha.

A punição rigorosa é fundamental, mas tão relevante quanto ela é encerrar o capítulo de estigmatização do papel da mulher na sociedade. Ontem, 6 de dezembro, foi o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, do qual a Rede Gazeta participou ativamente. Mais do que um gesto, o apoio dos homens precisa significar uma mudança de comportamento, que inclui muita vigilância. Só uma nova mentalidade é capaz de proporcionar às mulheres uma vivência plena de sua cidadania, sem medo.

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