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Estado tem um longo caminho a percorrer para dar basta à violência

Sequência de crimes em um curto intervalo de tempo mostra que não se está tranquilo em nenhum lugar. Nem mesmo em uma consulta médica, na praça do bairro ou em uma pizzaria

Policial foi baleado em assalto a uma pizzaria em Muquiçaba, Guarapari
Policial foi baleado em assalto a uma pizzaria em Muquiçaba, Guarapari
Foto: Reprodução

Em um curto intervalo de tempo, o Espírito Santo assistiu a uma sequência de crimes que mostram que não se está tranquilo em nenhum lugar. Nem mesmo em uma consulta médica, na praça do bairro ou em uma pizzaria.

A violência não poupou pacientes e funcionários do Hospital São Luiz, em Vila Velha, roubados por uma dupla armada. Não livrou moradores de Itararé, na Capital, de uma troca de tiros em plena rua, nem deu alívio a um policial militar. Este, que enfrenta riscos em sua jornada diária, acabou baleado por um assaltante fora de seu horário de trabalho, em Guarapari, enquanto esperava seu jantar. Acompanhar o noticiário é perceber que o crime anda sempre à espreita, e a população vive refém.

Até março deste ano, o Espírito Santo já registrou 283 assassinatos, o menor número para o período em 23 anos. Vitória também viu a taxa de roubos de veículos cair pela metade, após a instalação do cerco eletrônico. Os dados, no entanto, devem ser comemorados com parcimônia, porque não dão conta da dimensão do problema. Das ruas vem o recado, em letras vermelhas, de que o Estado tem um longo caminho a percorrer para dar um basta à violência.

Basta verificar a frequência com que moradores são afligidos por tiroteios ou expulsos de suas casas por traficantes e a

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assiduidade com que bandidos são flagrados com armas de alto poder de destruição, algumas até propagandeadas em vídeos nas redes sociais. Da prevenção à punição, a percepção é de o que tem sido feito até aqui não é suficiente. A sensação é de medo. E de impunidade. Segundo a Sesp, cerca de 40% dos homicídios no Estado ficam sem resolução.

Complexa e multifacetada por natureza, a segurança pública é área sensível às gestões de Renato Casagrande e Jair Bolsonaro. O governador já mostrou interesse em reativar o bem-vindo projeto Estado Presente, mas enfrenta desgastes com as polícias Civil e Militar. O presidente elegeu-se com a promessa de “jogar pesado” nessa seara, mas até agora nada foi feito e o pacote anticrime anunciado pelo ministro Sergio Moro traz lacunas incontestáveis. A solução não é simples, por isso não há espaço para saídas simplistas, que tentam estancar o sangue com band-aid. Já passou da hora de o discurso se afastar de radicalismos e caminhar seriamente para ações simbióticas entre policiamento, educação, geração de renda e assistência social. Não há bala de prata que livre o Brasil do descalabro da violência.

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