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Queda contínua de homicídios deve ser comemorada com parcimônia

Bom trabalho na segurança pública nos últimos anos não pode ser interrompida, pois há outros desafios a serem superados

Rabecão da Polícia Civil: neste ano, a taxa de homicídios está em 28,5 por grupo de 100 mil habitantes
Rabecão da Polícia Civil: neste ano, a taxa de homicídios está em 28,5 por grupo de 100 mil habitantes
Foto: Divulgação

Ao que tudo indica, esta década em território capixaba será marcada pela redução sistemática dos casos de homicídios: o primeiro trimestre deste ano mantém a tendência de recuo, com o menor número de assassinatos registrados no período em 23 anos, como noticiou o colunista Leonel Ximenes. É para se comemorar que tempos mais sombrios estejam paulatinamente sendo deixados para trás. De acordo com reportagem do jornal O Globo, o Espírito Santo está no grupo de nove Estados que, na contramão do restante do país, tem anotado quedas contínuas (à exceção de 2017, quando os números foram inflados pela greve da Polícia Militar).

Que siga nesse caminho de êxitos. Foram importantes as políticas públicas empreendidas desde o fim da década passada, que vêm mostrando resultado. A vitória reconhecida até aqui não pode, contudo, ser uma distração para o fato de que os 283 assassinatos ocorridos até agora neste ano continuam sendo um número alto, inaceitável na maior parte do mundo. Não dá para relaxar.

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Até porque os contratempos na

segurança pública

tampouco têm dado trégua. Desde o ano passado, a Grande Vitória tem sido cenário de uma guerra cada vez menos silenciosa entre facções do

tráfico

. O drama de moradores dos morros do Centro e da região do Bairro da Penha, em Vitória, acuados pela criminalidade, é o sintoma de uma enfermidade social que ainda não encontrou sua cura, mesmo que se conheça o remédio: um Estado que não se omita.

A Capital foi o único município da Grande Vitória que registrou aumento no número de assassinatos neste trimestre em relação ao ano passado: foram 19 casos em 2018, contra 21 em 2019. É o mesmo município em que dois fuzis foram apreendidos em uma operação no último fim de semana, o que mostra que há muito trabalho a ser feito.

E não se pode esquecer que, mesmo que o Estado se destaque na redução de homicídios, isso ainda não teve o poder de aumentar a sensação de segurança do capixaba. Crimes patrimoniais são noticiados com uma frequência inadmissível, ocorrências de roubo e furto são comuns, até mesmo subnotificadas. “Tranquilidade” é definitivamente ainda um substantivo inadequado para se tratar da segurança pública no Estado, mas não se pode desistir de um dia, enfim, usá-lo sem medo.

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