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Radares são um freio para a imprudência no trânsito

Não convém que os equipamentos sejam demonizados pelo próprio presidente do país

Radar na BR 101
Radar na BR 101
Foto: Fernando Madeira

É consenso entre especialistas em segurança no trânsito o perigo do excesso de velocidade. Ao determinar o cancelamento da instalação de 8 mil radares nas rodovias federais, o presidente Jair Bolsonaro cede mais uma vez à demagogia e ignora deliberadamente recomendações de órgãos como o Fórum Internacional de Trânsito sobre os riscos da falta de mecanismos de contenção de velocidade nas vias. Conta-se, assim, apenas com o bom senso dos motoristas, ignorando que a imprudência ainda move o comportamento ao volante, mesmo que alertas não faltem.

>Confira: Contarato vai mover ação contra suspensão de instalação de radares

Bolsonaro ecoa o senso comum ao bradar contra as “indústrias da multa”, como se a segurança dos usuários não tivesse de ser a prioridade. Os eventuais abusos e falhas – que precisam ser combatidos! – não justificam a extinção da forma mais eficiente de gestão da velocidade, que é ameaçar o bolso do potencial infrator. Bolsonaro, que tanto prega a conduta ilibada, deveria também ressaltar que o condutor que anda dentro dos limites da lei não tem o que temer diante de um radar.

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O presidente também sugeriu que as concessionárias se beneficiam das cobranças e, por isso, pretende revisar o processo de fiscalizações eletrônicas nas rodovias já concedidas à iniciativa privada, “para que não sobrem dúvidas do enriquecimento de poucos em detrimento da paz do motorista”, como escreveu em sua conta no Twitter. Ao jornal O Globo, a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) explicou que não há arrecadação de multas pelas empresas com esses dispositivos eletrônicos. No Código de Trânsito Brasileiro (Contran), a regra é clara: “A receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito será aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito”.

Questionar a eficiência dos radares é arriscado. Não significa que devam ser deixados sem a devida fiscalização, esse é o papel do Estado. Mas, de forma acusatória, reduzir a função dos equipamentos à arrecadação é uma forma de omissão, fechando os olhos para os números assustadores da violência no trânsito, com mais de 60 mil mortes por ano. Radares ainda são o único freio para a irresponsabilidade; não convém que sejam demonizados pelo próprio presidente do país. Não são populares, e ninguém esperam que sejam, mas não podem ser desprestigiados por quem deveria dar o exemplo.

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