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Andar nas ruas da Grande Vitória virou gincana de vida ou morte

Ameaça de morte e expulsão a jornalistas do bairro Santos Dumont são recado claro de criminosos de que ali o cidadão não tem voz e o Estado não tem vez

Repórter e cinegrafista foram ameaçados durante transmissão ao vivo nesta quinta-feira (30)
Repórter e cinegrafista foram ameaçados durante transmissão ao vivo nesta quinta-feira (30)
Foto: Reprodução

Dois cidadãos foram ameaçados de morte em uma rua de Vitória, enquanto trabalhavam. Esse fato mostra o grau de insegurança que a população do Espírito Santo enfrenta em sua rotina diária. Foram expulsos de um território livre, em mais uma demonstração de força do crime. É um golpe na cidadania, é um acinte ao poder público.

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Caminhar pelas ruas, falar ao celular, dirigir o carro até o trabalho deixaram de ser atividades banais para se tornarem gincanas de vida ou morte. Mas o episódio ocorrido na noite de quinta-feira (30) esconde nuances ainda mais graves. As ameaças foram desferidas a um repórter e a um cinegrafista da TV Vitória, durante transmissão ao vivo, enquanto noticiavam sobre a segurança pública no bairro Santos Dumont.

O ataque foi a dois cidadãos, mas também à imprensa e seu papel de informar. E ameaças à imprensa são ameaças a toda a sociedade. Não porque jornalistas gozem de posição privilegiada, mas porque, quando criminosos expulsam a mídia de um território, o que eles estão anunciando é que ali os cidadãos não têm voz, que o Estado não tem vez. Um sinal cristalino de que, se nada for feito para freá-los, a violência ocupará os vácuos deixados pela inércia das autoridades.

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