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MMS para autismo é a comercialização de falsos milagres

A "substância mineral milagrosa" não tem comprovação científica e ainda pode colocar em risco a saúde dos pacientes

Medicamento conhecido como MMS, vendido ilegalmente, é utilizado em tratamento de autismo
Medicamento conhecido como MMS, vendido ilegalmente, é utilizado em tratamento de autismo
Foto: Marcelo Prest

O MMS é uma substância cujos benefícios para a saúde não possuem nenhuma comprovação científica. Só essa informação, facilmente encontrada com uma busca na internet, deveria acender o sinal vermelho de possíveis consumidores. Mas a mesma internet que alerta é aquela que desinforma: é difícil para alguém, diante das agruras da doença de um filho ou de um parente, não se sentir seduzido pelos relatos de melhoras e até mesmo de cura que povoam a rede. É por isso que os órgãos fiscalizadores precisam ser cada vez mais atentos e ágeis: quem comercializa esse tipo de falso medicamento brinca com a esperança das pessoas. A polícia tem de agir, e a punição deve ser exemplar.

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Em um momento no qual sobra descrédito até mesmo para a ciência, a informação verdadeira precisa encontrar meios de prevalecer. Para isso, é importante promover o envolvimento da comunidade científica, de médicos e da própria imprensa, para que absurdos como o uso da composição de clorito de sódio e ácido clorídrico no tratamento do autismo e de uma infinidade de enfermidades seja contido. É necessário conquistar as pessoas pelo bom senso.

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Teorias da conspiração, como as que cercam o movimento antivacina, só podem ser vencidas pelo rigor científico, que mesmo não sendo livre de imperfeições é ainda o único método capaz de garantir alguma segurança, avalizando medicamentos nos quais os danos colaterais sejam minimamente controlados. A produção do MMS, por outro lado, não é só amadora, como desprovida de zelo, não há preocupação com quem o consome. Além da substância nociva, o próprio frasco em que é vendida não traz nenhuma informação sobre a composição ou orientações de uso. Um flagrante descaso.

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A investigação do repórter Sullivan Silva para este jornal expôs a existência de grupos no Facebook e no WhatsApp que comercializam livremente a substância, com centro de distribuição no município da Serra. A determinação do jornalista, que vinha apurando o comércio ilegal na semana passada, foi importante para dar mais destaque ao tema que ganhou espaço no Fantástico do último domingo. O jornalismo tem sido fundamental para denunciar o culto que se criou em torno do tratamento.

O MMS, sigla que em português significa “substância mineral milagrosa”, apela para o sobrenatural até mesmo no nome. O comércio da substância, comparada a produtos pesados de limpeza como a água sanitária, já seria nocivo se abusasse somente da fé das pessoas, sem trazer danos à saúde. Ao colocar vidas em riscos, precisa ser combatido com o rigor da lei.

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