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Ninguém pode se achar dono do calçadão de Camburi

Para evitar confusões na orla, amplificadas pelos patinetes elétricos, é preciso uma postura mais cidadã dos frequentadores

Usuário de patinete faz selfie: desatenção
Usuário de patinete faz selfie: desatenção
Foto: Vitor Jubini

Um calçadão repleto de gente é a representação do bom uso dos espaços públicos da cidade. É uma cena bonita de se ver, que deve ser cada vez mais estimulada pelo poder público, garantindo infraestrutura e segurança para que as pessoas aproveitem ao máximo. A Praia de Camburi, em Vitória, sente os reflexos da crescente disponibilidade de bicicletas e patinetes compartilhados, via iniciativa privada, o que impõe que regras simples de convivência sejam colocadas em prática. As regulamentações existem, mas não servem para nada se os transeuntes não fizerem a sua parte. O calçadão lotado não pode ser terra de ninguém, transformando o lazer em pesadelo.

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Nos horários de pico e nos finais de semana o que se tem presenciado na orla é uma disputa acirrada por espaço. Acidentes acabam sendo a consequência. Ciclistas possuem a ciclovia, e seu uso é obrigatório, segundo o Código de Trânsito Brasileiro. Os patinetes elétricos têm permissão para trafegar em qualquer lugar do calçadão, mas respeitando a velocidade máxima de 6 km/h. Se quiserem mais rapidez, os usuários podem ir para a ciclovia, onde a velocidade pode atingir os 20 km/h. Já patins e skates não são regulamentados, mas possuem uma marcação paralela à ciclovia, uma faixa exclusiva pintada de amarelo. Somam-se a esse ecossistema caminhantes e corredores. Todos, eventualmente, cometem seus pecados.

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A prefeitura assegura que fiscaliza, mas a confusão tem se instalado. Deveria promover campanhas educativas, dando publicidade às regras. Ressaltando também a importância de cada um exercer a própria cidadania. Quem utiliza veículos ou equipamentos precisa compreender que está no topo dessa “cadeia alimentar”, mas não pode agir como um predador. Ao mesmo tempo, os pedestres – seja em atividades físicas, seja em passeios contemplativos – devem ter atenção. Não podem, por exemplo, atravessar a ciclovia displicentemente.

A orla de Camburi é democrática, um microcosmo da vida em sociedade, e por isso é tão necessário que se respeite o espaço de cada um. Ninguém é dono do calçadão.

 

 

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