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Partidos políticos precisam ser firmes e fazer a diferença

Legendas hoje não representam forças organizadoras da política ou do debate público. Em vez disso, acabam optando pelo caminho mais fácil da omissão e do fisiologismo

Plenário da Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Uma coisa é certa no Brasil: qualquer possibilidade de evolução política passa necessariamente pelo fortalecimento dos partidos, a base da nossa democracia representativa. Mas por aqui as distorções há tanto se apoderaram do sistema partidário que as legendas que deveriam ser firmes em suas posições e propósitos, defendendo projetos de país próprios, acabam optando pelo caminho mais fácil da omissão e do fisiologismo. Faltam partidos de verdade, sobra oportunismo.

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É assim que o personalismo tão presente na política nacional consegue se sobrepor com tanta facilidade ao mar de legendas, intencionalmente anódinas. Num mundo ideal, partidos só seriam fundados se reunissem pessoas com afinidades ideológicas e pragmáticas suficientes para uma atuação pública relevante. Contudo, tornaram-se um negócio tão lucrativo que a fábrica de siglas trabalha incessantemente: o país hoje possui 35 partidos, segundo o TSE. Houve avanços recentes para conter essa pulverização, como a instituição da cláusula de barreira, mas o ritmo ainda é lento. O Congresso permanece disperso.

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Não se trata de impor limites à liberdade de expressão política – e a formação de partidos é parte relevante desse direito – assegurada pela Constituição, mas a defesa também expressiva da qualidade do partidarismo, que passe a chamar atenção pelo seu ideário e pela defesa de valores democráticos e éticos. Que seja norteador de práticas políticas menos nocivas do que as presenciadas atualmente.

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Partidos políticos devem fazer a diferença. Em Guaçuí, no Sul do Estado, uma operação do Ministério Público do Estadual (MPES) prendeu sete pessoas na quinta-feira (16), entre eles o presidente da Câmara, dois secretários e um subsecretário, suspeitos de formarem uma organização criminosa que fraudava licitações. A corrupção se tornou tão banal muito em função da displicência dos partidos, que paulatinamente foram deixando de se posicionar quando aberrações como essa ocorriam diante dos olhos.

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Os partidos hoje não representam forças organizadoras da política ou do debate público, o que só pode ser resgatado com uma reforma mais profunda do que as vêm sendo feitas a conta-gotas, eventualmente. O médico virou o monstro, mas isso não é irreversível. As respostas para a política brasileira estão no seu âmago, basta tomar partido disso.

 

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