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Paulinho da Força coloca o país em jogo para frustrar Bolsonaro

Ao tentar desidratar a reforma da Previdência para impedir ganhos políticos de Bolsonaro, Centrão coloca o Brasil em segundo plano

 Entrevista coletiva do deputado Paulinho da Força
Entrevista coletiva do deputado Paulinho da Força
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

“Precisamos de uma reforma da Previdência que não garanta a reeleição do Bolsonaro.” Essa é uma frase que jamais deveria ter visto a luz do sol, mas o deputado Paulinho da Força (SDD) não se acanhou de soltá-la aos quatro ventos no ato do Dia do Trabalho, em São Paulo. Serviu para externar os interesses espúrios por trás de certos setores da oposição a mudanças que são cruciais para o futuro do Brasil. Vindo de alguém que transformou o sindicalismo oportunamente em sua própria alcunha, só há o que se lamentar, por confirmar o pouco apreço aos trabalhadores. Continuar negando a reforma não coloca somente as aposentadorias em jogo, mas a próprio futuro do emprego. É uma perversidade com cada um dos brasileiros.

O deputado federal, sem meias palavras, anunciou que o Centrão discute o apoio a uma reforma da Previdência desidratada para inviabilizar as ambições políticas do atual presidente em 2022. É inaceitável que enquanto o país permaneça na inércia, uma motivação tão vil seja declarada com tamanha desfaçatez. Tudo porque a aprovação de uma reforma robusta, como a enviada pelo governo federal, é capaz de fazer a economia levantar voo novamente. Nessa viagem em céu de brigadeiro, os benefícios sociais catapultados pelo crescimento econômico estariam tão evidentes que certamente serviriam como capital eleitoral para um próximo mandato. A proposta de Bolsonaro prevê R$ 1 trilhão em redução de gastos nos próximos dez anos. Imagine o quanto pode ser feito pelo país quando os gastos são racionalizados dessa forma. Já sacrificar esse benefício coletivo em nome de picuinhas políticas é um golpe baixo demais.

A fala de Paulinho da Força traduz um problema inerente ao jogo político brasileiro: a incapacidade de se pensar em um projeto de país, independentemente de governos. A reforma da Previdência é um projeto de Estado, suprapartidário, que deveria caminhar distante de corporativismos de setores que só lutam por seus próprios privilégios. Divergências políticas podem existir em pontos específicos, que não negligenciem o propósito maior, de estruturar um sistema previdenciário mais equânime e sustentável. Governos passam, o que fica é o seu legado. A reforma é mais importante para o Brasil do que para uma possível reeleição de Bolsonaro.

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