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Ponte Florentino Avidos sem iluminação é apagão do poder público

Cinco Pontes, onde um ciclista foi assassinado há pouco mais de duas semanas, continuam com iluminação precária

Cinco Pontes ainda sem luz mesmo após bandidos matarem ciclista
Cinco Pontes ainda sem luz mesmo após bandidos matarem ciclista
Foto: Ricardo Medeiros | GZ

A relação entre iluminação pública e redução da criminalidade é bandeira sempre hasteada entre especialistas em segurança pública. É algo cristalizado, que melhora assim a qualidade de vida das pessoas.

Mas essa regra de ouro não impede que a ponte Florentino Avidos, que liga Vitória a Vila Velha, siga com vários trechos às escuras, pouco mais de duas semanas após o assassinato do ciclista Carlos Renato Souza, no último dia 14. Uma morte que causou justa comoção pela banalidade.

É incrível que nem mesmo um crime de tamanha repercussão, que chegou a motivar protestos de ciclistas, tenha mobilizado o poder público a ao menos dar uma resposta à sociedade da sua presença no local. Os transeuntes continuam sem contar com nenhuma segurança.

Não falta apenas luz, a reclamação é também de falta de policiamento. Reportagem da TV Gazeta de quarta-feira mostrou o breu no caminho de pedestres e ciclistas nessa travessia do medo. Na edição de hoje, o descaso das autoridades ganhou as páginas deste jornal.

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A passarela é usada por trabalhadores e estudantes, muitas vezes sem outra opção de transporte. E, como brilhantemente definiu o cicloativista Fernando Braga na reportagem, o ladrão cobra pedágio dessas pessoas, colocadas dessa forma ainda mais à margem da mobilidade urbana.

No transporte público, também falta segurança. No início deste mês, passageiros de um ônibus do Sistema Transcol foram vítimas de um assalto justamente quando passavam pelas Cinco Pontes: os bandidos embarcaram um pouco antes, cometeram o crime e abandonaram o veículo após atravessarem a ponte. A população acaba sem escolha, refém da violência a pé ou em um coletivo. Quem passa pela região de carro também não pode se descuidar.

A ponte é terra de ninguém, e fica fácil para criminosos se apossarem do local. A insegurança é resultado da omissão do Estado, que não consegue se impor. No caso da iluminação pública, a Constituição a define como um serviço público de interesse local. A Prefeitura de Vitória, responsável pela manutenção, alega que até mesmo os refletores são roubados por lá, uma conveniência e tanto para os profissionais do crime que atuam na região. A promessa de um novo projeto que evite a ação de vândalos ou bandidos, ao contrário da ponte, não ficará no escuro. Este jornal cumprirá seu papel de iluminá-la caso não se cumpra.

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