Notícia

Ameaça na Ufes não pode ficar sem respostas

Órgãos de inteligência devem agir com rigor para que não persistam dúvidas sobre a origem e as motivações das ameaças que paralisaram o campus de Goiabeiras

Salas do CCJE vazias na manhã desta quarta
Salas do CCJE vazias na manhã desta quarta
Foto: Eduardo Dias

Ameaça real ou fabricada, não faz diferença: é nessa linha tênue que o terror se fortalece. Qualquer que tenha sido a motivação das intimidações divulgadas na obscuridade da deep web contra determinados grupos que integram a comunidade da Ufes, o resultado evidente na noite da última terça-feira (18) foi a disseminação do medo, expondo a fragilidade da sociedade quando diante de situações como essa. O pânico é uma das reações mais inflamáveis, precisa de pouco para entrar em combustão.

> Ameaça na Ufes: especialista explica como funciona fórum na internet

E por isso é preciso ter responsabilidade até mesmo na divulgação desses avisos. A precaução é virtuosa. Até o momento, não há nada concreto além da própria ameaça em um suposto fórum oculto ao grande público na internet, o mesmo local em que teriam sido publicados textos com avisos sobre o ataque à escola de Suzano, no início de março. Nos prints das mensagens que circularam pela internet, o autor diz que vai “matar o máximo de esquerdistas, feministas, ‘viados’ (sic) e negros que encontrar pela frente”. Acendeu-se, então, um pavio.

> "Que o respeito às diferenças prevaleça", diz leitora sobre a Ufes

O desencontro de informações travado na terça-feira criou um ambiente ainda mais propício para a disseminação de boatos, como o que falava da evacuação do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), no campus de Goiabeiras. Mesmo que as atividades não tenham sido suspensas oficialmente, de acordo com a reitoria, o que se viu nesta quarta-feira (19) foi um campus vazio, com a presença ostensiva da polícia. Uma imagem triste de um espaço normalmente fervilhante, importante para a difusão e a produção do conhecimento. Não do medo.

Leia também

Cabe aos órgãos de inteligência uma verdadeira devassa para se determinar o que realmente ocorreu. É uma investigação que precisa ser séria, com a devida publicidade aos resultados, para impedir quem quer que seja de repetir algo tão grave. As ameaças não podem ser minimizadas de antemão, a ponto de serem consideradas mero trote. Caso se confirme assim, também são passíveis de punição exemplar.

Em tempos tão polarizados politicamente, a cultura da intolerância vem sendo semeada a ponto de uma ameaça ser tão assustadora justamente por ser crível. Para que não persistam dúvidas sobre a origem e as motivações, é imprescindível que as investigações tragam respostas para a sociedade, em especial a comunidade acadêmica da Ufes.

Ver comentários