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Brasil carece de políticas de Estado para construir o próprio legado

É preciso estabelecer uma agenda estruturante, o que permitirá ao governante alcançar uma competência administrativa que continuará tendo impacto para as gerações futuras

O Palácio do Planalto, sede do governo federal
O Palácio do Planalto, sede do governo federal
Foto: Beto Barata/PR

A incapacidade de consolidação de políticas de Estado nas áreas mais sensíveis - saúde, educação, infraestrutura, emprego, despesa pública e segurança - continua sendo um obstáculo para um fluxo contínuo de desenvolvimento econômico e social.

> Desenvolvimento do ES depende de política de continuidade

É um exercício de cidadania cada vez mais necessário a compreensão da distinção entre políticas de Estado e de governo, como forma de estabelecer parâmetros mais precisos na atuação pública. É possível assim até mesmo fazer escolhas melhores, diante da urna, quando se torna patente o que se espera de um governante. Assim, o sarrafo sobe naturalmente para pleiteantes a cargos na administração pública.

As políticas de Estado, aquelas que olham para futuro, com capacidade de perenizar, vão além das vontades passageiras de quem está no poder. Por serem menos circunstanciais, conectam-se com projetos de país de longo prazo. O Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal são exemplos de um passado nem tão distante.

Atualmente, a mais emblemática é a própria reforma da Previdência, para sanear as contas públicas. Como o equilíbrio fiscal deve ser a meta de todo governo que se pretenda eficiente, a medida transcende a mandatos. Com as projeções de expectativa de vida cada vez maiores, uma reforma robusta tem potencial de regular o gasto público por décadas. Uma política de Estado indiscutível, portanto.

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É preciso estabelecer uma agenda estruturante, o que permitirá ao governante alcançar uma competência administrativa que continuará tendo impacto para as gerações futuras. Sem voos de galinha na economia, mas deslocamentos bem mais longos, com autonomia e segurança. Tudo isso dentro de um processo de elaboração e aprovação articulado pela política em sua melhor forma, com a responsabilidade que exige.

Não significa que políticas de governo não sejam necessárias para o bom funcionamento administrativo, a conjuntura do momento também as impõe. Tendem a ser mais reativas e operacionais, portanto. E ocasionalmente populistas. Mas são as de Estado que possuem valor estratégico autêntico, orientadas para o futuro. O Brasil, hoje, precisa começar a construir seu próprio legado.

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