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Espírito Santo tem grande desafio para reverter recuo da economia

O maior problema capixaba está na produção industrial, que depende dos mercados interno e externo e acumula queda de 10,3% no ano

Fábrica de automóveis: resultado da indústria no país decepcionou
Fábrica de automóveis: resultado da indústria no país decepcionou
Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

A economia capixaba entra em alerta. A queda de 1,3% do PIB estadual no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores, surpreendeu até expectativas pessimistas. É muito maior do que o recuo de 0,2% do indicador nacional. A evidência é de que está em curso uma desaceleração muito rápida. Isso é muito preocupante, na medida em que prejudica o emprego, a renda e o bem-estar da sociedade.

>Beatriz Seixas: Economia do Espírito Santo entra em recessão

O primeiro trimestre foi marcado pelo desempenho atípico de grandes motores do PIB estadual. Houve queda nas produções de petróleo, celulose e mineração, setor este impactado com o estouro da barragem em Brumadinho, no fim de janeiro. Efeitos negativos se propagaram em pequenas e médias empresas fornecedoras de bens e serviços para as grandes companhias. Reduziram vendas, enfraqueceram o mercado doméstico, restringiram vagas de trabalho e, por óbvio, também a arrecadação tributária. A perda de fôlego das atividades começou a ser sentida desde fevereiro, com o recuo de 0,49% no Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), apurado pelo Banco Central.

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A presunção de que fatos como esses não devem se repetir cria esperança de melhor ritmo das forças próprias da economia capixaba ao longo do ano. Mas não é tão simples assim. Isso também dependerá dos resultados do comércio internacional de matérias-primas e produtos semiacabados, como minério de ferro, aço, celulose e petróleo - setor com horizonte amplo de investimentos.

Deve-se ter presente que o resultado negativo do PIB capixaba nos primeiros três meses de 2019 não é fato isolado. Infelizmente, dá sequência ao declínio iniciado nos últimos meses de 2018. Trata-se do terceiro recuo trimestral consecutivo, configurando recessão técnica. E o cenário tem o agravante de guardar sequelas dos dois anos de forte retração da economia estadual, em 2015 e em 2016. Indústria, comércio e serviços ainda não recuperaram o ritmo pré-recessão.

É um grande desafio para o Estado reverter o recuo continuado da sua economia – ainda mais na circunstância da estagnação, enfrentada hoje pelo país. O maior problema capixaba está na produção industrial, que depende dos mercados interno e externo e acumula queda de 10,3% no ano, até abril (o dado mais recente). Investimentos da Vale e no setor de petróleo ajudarão a mudar essa situação.

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