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Estado não pode admitir que crime fique à vontade para atirar a esmo

Final de semana deixou marcas nas paredes e no espírito dos moradores de Itanguá, em Cariacica, quando três pessoas morreram e duas foram baleadas

Marcas de tiros em parede após ataque de criminosos no bairro Itanguá, em Cariacica
Marcas de tiros em parede após ataque de criminosos no bairro Itanguá, em Cariacica
Foto: Vitor Jubini

No bairro Itanguá, em Cariacica, as marcas da violência estão nas paredes da casa e no espírito dos moradores. Paz e cidadania são dois conceitos distantes daquela região, onde traficantes não se enfrentam apenas em guerras de facções. Eles atiram a esmo, em uma rua lotada, com o propósito de espalhar o medo.

No último sábado (8), três pessoas foram assassinadas e um adolescente ficou ferido em uma demonstração de poder dos criminosos. As vítimas conversavam e lanchavam no momento do tiroteio. David Silva, de 24 anos, apenas passava pela rua quando os bandidos dispararam mais de 50 tiros de dentro de um carro. Já no domingo (9), no mesmo bairro, um catador de materiais recicláveis foi vítima de uma bala perdida.

Também domingo, uma troca de tiros por pouco não terminou em tragédia no Morro do Macaco, na região de Tabuazeiro, em Vitória. Foram mais de 200 tiros, cortando a tranquilidade de uma área residencial.

O Espírito Santo tem registrado queda no número de homicídios, mas os números ainda são altos e pesam na rotina das população, especialmente a de baixa renda. Além de conviver com a falta de estrutura em seus bairros, pagam com a própria vida pela insegurança.

>Sete em cada 10 homicídios são resolvidos no Espírito Santo

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Dados da Polícia Civil apontam que, até novembro do ano passado, 78% dos casos de assassinatos investigados foram resolvidos. De 2014 a 2017, o índice de resolutividade foi de 60% – um dos maiores do país. As forças de segurança fazem o seu papel para elucidar crimes, mas é preciso empenho conjunto do poder público e da sociedade civil para frear a engrenagem, evitando que tamanha violência continue ocorrendo. O Estado não pode admitir que o crime se sinta à vontade para disparar tiros a esmo. É uma barbárie que deve ser combatida com urgência e inteligência.

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