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Ferrovia é indispensável, mas é preciso empenho do governo federal

Ministro de Infraestrutura anunciou plano de construir ramal ferroviário entre Espírito Santo e Rio de Janeiro. É fundamental debatê-lo com os interessados, para evitar batalha no STF

Aumento da malha ferroviária é essencial para a logística e o crescimento econômico do ES
Aumento da malha ferroviária é essencial para a logística e o crescimento econômico do ES
Foto: Divulgação / TJES

Está aberta nova temporada de luta do Espírito Santo para fortalecer a sua economia com a construção de uma ferrovia ligando a Grande Vitória ao Rio de Janeiro. É o esperado ramal capixaba da Estrada de Ferro 118 (EF 118), indispensável à competitividade da logística de transporte no Estado. O Porto Central, em Presidente Kennedy, não pode prescindir do modal ferroviário, no seu fluxo de cargas.

O argumento econômico é incontestável, mas é preciso buscar o empenho do governo federal e da própria Vale para viabilizar o ramal capixaba da EF 118. Na semana passada, a Vale conseguiu com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) renovar as concessões de duas ferrovias, Vitória-Minas e Carajás, por mais 30 anos, comprometendo-se a antecipar investimentos que seriam feitos a partir de 2027. Abriram-se duas perspectivas. Uma é a construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), obra costurada desde os últimos dias do governo Temer, sob lobby do agronegócio. Depois de finalizada, a ferrovia passará a ser da União e deverá ser vendida.

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Outra é a implantação no território capixaba de uma ligação ferroviária entre os municípios de Cariacica e Anchieta (até o porto da Samarco em Ubu), obra cogitada desde agosto do ano passado, conforme antecipou, na época, o Gazeta Online. Seria feita com recursos da outorga, estimados em R$ 640 milhões. Assim, ficaria muito pouco dinheiro da concessão no Espírito Santo, onde a Vale opera intensamente há mais de meio século. A Fico, em região onde a mineradora não atua diretamente, absorverá investimento de R$ 2,6 bilhões.

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O trem entre Cariacica e Ubu, com percurso de apenas 72 quilômetros, por certo é interessante para a Vale e a sua controlada, a Samarco, mas não satisfaria inteiramente às necessidades de logísticas do Espírito Santo. E nem do Rio de Janeiro, que também precisa de ferrovia para levar cargas ao Porto de Açu. A demanda da economia capixaba é por mais 88 quilômetros de ferrovia, indo até entrada do Porto Central, em Presidente Kennedy.

O ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirma que o governo tem planos para conectar a ferrovia Vitória-Minas ao Porto do Açu, litoral fluminense. Então, é fundamental explicitá-lo e debatê-lo com as partes interessadas. Assim pode evitar impasse de grandes proporções, que pode gerar uma batalha no STF.

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