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Klebão tem de fazer jus ao próprio apelido também financeiramente

Não faz sentido que estádio em Cariacica continue sob as asas do governo estadual: é o exemplo de onde o poder público não precisa estar

O estádio estadual Kleber Andrade
O estádio estadual Kleber Andrade
Foto: Vitor Jubini

Tão monumental quanto o Kleber Andrade é o prejuízo que o estádio tem causado aos cofres públicos desde a sua inauguração, no final de 2014.

Não faz sentido que continue sob as asas do governo estadual: é o exemplo de onde o poder público não precisa estar, não só por não se tratar de um serviço essencial à população, mas pela própria incapacidade de gestão. Nas mãos do empresariado, é possível que encontre a almejada viabilidade econômica que nesses quase cinco anos esteve oculta da administração estatal.

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Os números mostram que o estádio tem colecionado derrotas financeiras: uma obra que custou R$ 180 milhões, cuja manutenção desde a reinauguração acumulou um gasto de R$ 7,4 milhões, enquanto a arrecadação no mesmo período ficou nos R$ 354,4 mil, resultado da única fonte de renda, a locação para jogos de futebol. O show de Paul McCartney, em novembro de 2014, ou seja, antes mesmo da inauguração, foi um ponto fora da curva que rendeu R$ 220 mil.

Show de Paul McCartney no  Kleber Andrade, em Cariacica
Show de Paul McCartney no Kleber Andrade, em Cariacica
Foto: Edson Chagas - 10/11/2014

As cifras colhidas em um levantamento realizado pela equipe de Esportes de A GAZETA com apoio do G.Dados, grupo de jornalismo de dados da Rede Gazeta, mostram uma defasagem que é fruto da falta de planejamento estratégico. Não muito diferente do que se viu no resto do país. A empolgação inicial pela reforma da tradicional praça esportiva de Cariacica coincidiu, na virada da década passada, com as expectativas e investimentos para a Copa do Mundo de 2014. As novas arenas de Amazonas, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Pernambuco e o Distrito Federal também não se viabilizaram desde então e não conseguem se livrar dos prejuízos milionários.

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A diversificação da exploração comercial do estádio, como aventa o secretário estadual de Esportes, Júnior Abreu, já vem tarde. O déficit acumulado desde que o Kleber Andrade foi reinaugurado comprova que projetos nesse sentido já deveriam estar encaminhados.

O estádio, que ainda tem pendências estruturais e precisa ser de fato finalizado, depende de negócios mais vantajosos para se sustentar. Ontem mesmo conseguiu o feito de sediar a Copa do Mundo sub-17, marcada para setembro. Se empresas e grandes equipes de fora do Estado conseguiram movimentar mais de R$ 16 milhões em bilheteria, é sinal de que pode ser atraente para a iniciativa privada. O próprio governador Casagrande vê com bons olhos uma possível transferência. Os capixabas torcem por um Klebão que seja também financeiramente superlativo.

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