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Liberação do FGTS vai criar ânimo apenas passageiro para a economia

O ponto de partida para reverter, de modo continuado, a desaceleração da economia é uma reforma na Previdência

Foto: Arquivo

A esta altura do ano, a economia brasileira esperava estar surfando em animada onda de crescimento, em velocidade anual de 3%. Infelizmente, essa expectativa não se realizou. Ao contrário, houve queda de 0,2% do PIB entre janeiro e março, o primeiro recuo trimestral desde 2016, no auge da recessão. Só que o tropeço do PIB agora dói mais do que o ocorrido há três anos, porque os males de hoje juntam-se às sequelas da crise anterior. Algumas, como o investimento em relação ao PIB e a renda da população, levarão anos para voltar ao nível pré-recessivo.

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Esse cenário causa enorme ansiedade no país. As dúvidas cruciais são como fazer a economia evoluir de modo sustentado, e num ritmo que, se não for veloz, pelo menos evite o agravamento de problemas sociais, como desemprego e miséria. Há dupla justificativa para tais questionamentos. A primeira, é que o PIB parou de crescer desde o início do ano; em segundo lugar, porque a expansão anterior, de 1,1% ao ano, tanto em 2017 como em 2018, não conseguiu dinamizar setores fundamentais, como indústria e serviços, e nem criar empregos em número suficiente para atender à demanda.

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Por esses motivos, o Brasil convive com a deterioração do mercado de trabalho. São 13,7 milhões de desempregados e 23,8 milhões de subocupados. As duas situações reúnem cerca de 260 mil pessoas no Espírito Santo - apesar de a dinâmica local apresentar indicadores melhores do que a nacional. O Índice de Atividade Econômica apurado pelo Banco Central aponta crescimento de 2% no Estado no primeiro trimestre, ante 0,23% no país.

O saque do FGTS, cuja liberação está sendo estudada pelo governo, tem potencial para injetar pelo menos R$ 22 bilhões na economia, segundo cálculos de mercado, mas criará ânimo apenas efêmero. Durará até o dinheiro ser gasto em consumo. O ponto de partida para reverter, de modo continuado, a desaceleração da economia é uma reforma na Previdência, desde que seja vigorosa e abra perspectivas reais para equilíbrio das contas públicas.

A mudança previdenciária contribuirá para aumentar investimentos e eliminar o clima recessivo à medida que infundir a certeza de que a arrecadação tributária futura será suficiente para o governo pagar os seus credores, sem risco de calote. Confiança é indispensável à execução de projetos em todas as áreas produtivas.

 

 

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