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Ventos da privatização devem ficar cada vez mais fortes na Codesa

Processo de desestatização, formalizado por decreto de Bolsonaro, até agora tem prezado pelo zelo sem se acomodar à leniência

Porto de Vitória é administrado pela Codesa
Porto de Vitória é administrado pela Codesa
Foto: Marcelo Prest

Desde o início do governo Bolsonaro, a Codesa tem se mantido reluzente no radar das privatizações. A companhia docas, desde cedo, foi colocada como protagonista na transferência de gestão da União à iniciativa privada, uma atracagem que parece estar cada vez mais próxima, agora que decreto de Brasília a incluiu oficialmente no Programa Nacional de Desestatização. Algo que o governo Michel Temer até cogitou, em 2017, mas que não resistiu às pressões políticas.

Os ventos agora são outros e  sopram a favor de uma transparência inédita para a empresa, em um processo de desestatização que até agora tem prezado pelo zelo sem se acomodar à leniência. A formalidade do decreto é uma etapa importante de um processo que já vem se desenrolando desde a chegada de Julio Castiglioni, em março, à direção da empresa, com a incumbência estratégica de prepará-la para a venda. A começar com uma mudança radical na cultura político-empresarial.

Para abandonar o estigma de reduto de apadrinhados, a nova direção já anunciou até mesmo um concurso para ocupação de vagas de comissionados. Será entregue às mãos da iniciativa privada sem o loteamento político e a falta de profissionalismo que tanto contribuíram para a ineficiência e a falta de competitividade, principalmente do Porto de Vitória.

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Mas por que privatizar, já que em pouco tempo a Codesa já conseguiu superar alguns obstáculos que pareciam intransponíveis? Porque se impõe uma nova forma de gestão dos portos, não só no Espírito Santo. A qualidade do serviço está diretamente ligada à produtividade. Investimentos se fazem necessários, lembre-se a novela da dragagem da Baía de Vitória. O Estado brasileiro não tem condições de continuar arcando com essas responsabilidades financeiras, sem que haja retorno pelo menos no mesmo nível. É desperdício de recursos e de esforços.

A transferência da Codesa tem tudo para maximizar as operações. É importante para reduzir custos e promover o fluxo de navios, atraindo linhas marítimas internacionais. A vocação ao comércio exterior do Espírito Santo não se reflete no setor portuário sob a tutela estatal, com a participação dos portos públicos nas cargas que entram e saem do Estado sendo inferior a 10% do total, segundo dados de 2017, levantados pelo Ideies. Mesmo com as limitações conhecidas do Porto de Vitória - e com o apelo de Barra do Riacho - é possível ampliar esse horizonte ainda tão limitado.

 

 

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