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Atraso nas obras do Terminal de Itaparica é desordem gerencial

O risco de desabamento da estrutura provocou a interdição de uma importante aparelhagem do transporte público da Grande Vitória que está até hoje sem prazo de voltar a funcionar

Terminal de Itaparica
Terminal de Itaparica
Foto: Ricardo Medeiros

Ao afirmar que a demolição do teto do Terminal de Itaparica, em Vila Velha, pela gestão passada foi “maldade com um pouco de burrice”, o diretor-geral do Instituto de Obras Públicas do Espírito Santo (Iopes), Luiz César Maretto, involuntariamente apontou para alguns dos problemas mais graves da administração pública, independentemente da justiça de seu julgamento: a descontinuidade das ações e a desorganização gerencial.

Afinal, o que pode explicar que, quando o terminal foi concluído em 2009, o valor do investimento divulgado pela Ceturb tenha sido de R$ 12 milhões e, quase dez anos, a cifra tornada pública pela mesma empresa tenha caído para R$ 8,3 milhões? A desordem administrativa é complementada por decisões cruciais que deveriam ser mais bem fundamentadas.

O risco de desabamento da estrutura provocou a interdição de uma importante aparelhagem do transporte público da Grande Vitória. Desde julho do ano passado, a inutilização do Terminal de Itaparica vem trazendo transtorno para o cotidiano de 45 mil pessoas, que passaram a se aglomerar principalmente no Terminal de Vila Velha, criando um cenário ainda mais caótico para quem depende diariamente de ônibus. As decisões gerenciais atrapalhadas e a burocracia acabam tendo um impacto desumano.

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É a vida de cada um que é afetada, com o deslocamento para o trabalho e outras atividades corriqueiras se transformando em um suplício diário. Qualidade de vida acaba sendo um sonho cada vez mais distante para essas pessoas, reféns do bate-cabeça dos gestores públicos, pagos por elas para solucionar problemas com mais eficiência.

Muitos passageiros  estão utilizando o Terminal de Vila Velha porque o de Itaparica está interditado. Eles reclamam de superlotação
Muitos passageiros estão utilizando o Terminal de Vila Velha porque o de Itaparica está interditado. Eles reclamam de superlotação
Foto: Fernando Madeira

O Terminal de Itaparica, inaugurado em 2009 com a promessa de contribuir para a ampliação do acesso ao Sistema Transcol e assim facilitar a vida dos usuários, não demorou a mostrar problemas estruturais. Em 2013, uma das marquises desabou durante uma tempestade, com quatro ônibus atingidos e uma pessoa ferida. Em 2017, falhas de projeto e de execução foram constatadas, e um laudo pericial no ano seguinte sugeriu a imediata interdição.

Desde então, mudou o governo, mas não houve avanço. O diretor do Iopes não quis dar prazos. “Pelo amor de Deus, não faz previsão, não”, implorou a este jornal. Constata-se pelo histórico da condução de obras públicas, em qualquer esfera, que apontar uma data no calendário pouco adianta, mas ao menos serve de parâmetro para a cobrança da imprensa. Este, sim, um compromisso que nunca falha.

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