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Falta grandeza política para incluir Estados e municípios na reforma

Apoiar mudança na Previdência é um ato de coragem, diante da sua impopularidade alinhavada por interesses de grupos de pressão

Comissão da reforma da Previdência da Câmara
Comissão da reforma da Previdência da Câmara
Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A tensão entre o que é bom para o país e o que é mera estratégia política tem tornado os encaminhamentos da reforma da Previdência ainda mais dramáticos.

Não é necessariamente uma novidade no jogo político-partidário brasileiro, historicamente refém do populismo, mas tampouco é exagero se falar em drama quando Estados e municípios acumulam déficits em seus regimes previdenciários e, mesmo assim, a inclusão deles na reforma tenha se tornando uma batata quente entre deputados federais e as lideranças estaduais e municipais.

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Está, como se vê, faltando a grandeza política que esteja acima de interesses eleitoreiros, que enxergue a longo prazo. Apoiar a reforma é um ato de coragem, diante da sua impopularidade alinhavada por interesses de grupos de pressão.

A compreensão da sociedade sobre a necessidade da reforma depende de estratégias de convencimento que apontem para a racionalidade, mas é ainda escrava de paixões que cegam.

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A exclusão dos Estados vai agravar ainda mais o quadro de crise fiscal dos governos regionais. O crescimento do rombo dos regimes estaduais é evidente: foi de R$ 47,4 bilhões em 2014 para R$ 88,5 bilhões no ano passado. A conta segue sem fechar.

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A aplicação automática da regra a Estados e municípios ficou de fora da nova versão do relatório após a pressão dos Estados dissidentes, que não tiveram suas demandas atendidas.

Parlamentares, por outro lado, não querem arcar sozinhos com o desgaste político. No geral, é uma oposição que compreende a inevitabilidade da reforma, mas teme tanto a impopularidade que prefere a omissão. O custo dessa passividade será alto para o país.

Ainda não é o fim da linha para Estados e municípios, com a possibilidade de serem incluídos na reforma durante a votação no plenário, dependendo ainda de os governadores exercerem influência sobre as lideranças. É hora de levar a sério o país - e cada um dos brasileiros.

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