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Interesses devem confluir para a recuperação do Rio Itapemirim

Com ações conjuntas de poder público, empresários e agricultores, é perfeitamente possível a regeneração da importante bacia do Sul do Estado

 Expedição na bacia do Rio Itapemirim acusou derramamento de esgoto
Expedição na bacia do Rio Itapemirim acusou derramamento de esgoto
Foto: imagem tv gazeta sul

Os recursos hídricos são sempre avaliados por sua qualidade e quantidade, e no caso da Bacia do Rio Itapemirim há carências graves nos dois aspectos. Ao mesmo tempo que, ao longo do percurso do rio e seus afluentes por 17 municípios capixabas, o esgoto despejado sem tratamento continua sendo um agente de contaminação das águas, nota-se também a perda do potencial hídrico, com assoreamentos e redução de volume ocasionados pelo mau uso do solo em suas margens. Uma deterioração lamentável para um rio que já foi plenamente navegável.

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A empreitada da qual a Rede Gazeta se faz porta-voz ao ter participado de uma nova expedição pela bacia, 15 anos depois de ambientalistas e pesquisadores terem feito o mesmo percurso e constatado que o Rio Itapemirim já exigia desde então cuidados para garantir a sua sobrevivência, é relevante e urgente. O Rio Itapemirim pede socorro, e há muito a ser feito.

A boa notícia é a percepção, comungada por poder público, empresários e agricultores, de que é possível conciliar os interesses e trabalhar pela recuperação da bacia. Há a compreensão compartilhada de que não se pode mais continuar pecando pela omissão. O desaparecimento de um rio tão importante para a região tem implicações para todos os setores, a luta é de todos.

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A revitalização da bacia do Rio Itapemirim está sendo compactuada por governo estadual, setor econômico do Sul do Estado e organizações civis. Mas não pode ficar somente como uma carta de intenções, concretizações são esperadas. A cobrança deve ser constante.

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Sem água abundante, não é somente a população que sofre: a agricultura e a indústria ficam inviabilizadas. A sustentabilidade é portanto imprescindível para a economia e, consequentemente, para a sociedade. As iniciativas precisam ser orientadas por especialistas, para que não se mostrem inócuas. A restauração de lençóis freáticos e da vegetação ciliar é o lugar-comum que não pode ser interrompido. A formação de sistemas agroflorestais, que já vem sendo realizada por produtores rurais, precisa ganhar uma dimensão ainda mais ampla.

Tudo para que tantos interesses se confluam e formem um fluxo ininterrupto de ações coordenadas, tão intenso quanto a correnteza de um rio, vivo e perene. Do jeito que o Itapemirim merece ser.

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