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Serra tem muito o que ensinar no combate à violência

Município da Grande Vitória mostra que ações coordenadas do setor público surtem efeito. A queda do número de homicídios no Estado foi em grande parte puxada pela redução dos índices na cidade

Policiais militares fazem patrulhamento no Morro da Piedade: Lei das Promoções em discussão
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Foto: Fernando Madeira

Na contramão do cenário nacional, que registra consecutivos aumentos do número de mortes violentas – foram mais de 65 mil pessoas assassinadas em 2017, contra 62 mil em 2016, segundo dados mais recentes do Atlas da Violência –, o Espírito Santo tem visto seus índices caírem ano a ano. O Estado fechou o primeiro semestre de 2019 com o melhor resultado em mais de duas décadas, uma tendência de queda acompanhada por poucos outros Estados do país, como São Paulo e Paraná. Quando se observam os bastidores desses números, o que se vê é que a engrenagem movida para reduzir a violência vai além da repressão, embora a polícia seja ponta de lança das estratégias.

>Força-tarefa reduz assassinatos na Serra

Não há uma receita para resolver problema tão complexo, mas alguns ingredientes não podem ficar de fora. Estudos comprovam que investimentos em infraestrutura urbana, como saneamento básico, pavimentação e iluminação pública, contribuem para a redução da violência em áreas que apresentam vulnerabilidade social. Os aportes em educação e em geração de renda também são componentes cruciais.

>Metade da população do Espírito Santo vive em local sem rede de esgoto

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A Serra é bom exemplo, no Espírito Santo, de que ações coordenadas do setor público surtem efeito. A queda do número de homicídios no Estado foi em grande parte puxada pela redução dos índices no município. De forma isolada, a Serra foi responsável pelo recuo de 42% do total de assassinatos registrados no território capixaba.

Mas o que a cidade tem a ensinar? Na linha de frente, como já dito, está o enfrentamento direto à criminalidade, por meio das polícias Militar e Civil, do Ministério Público e da Justiça. Uma força-tarefa montada garantiu aumento das operações policiais e celeridade aos processos judiciais, o que significa menos criminosos nas ruas e menos sensação de impunidade, um dos combustíveis da violência. Pelos flancos, a prefeitura atacou com projetos sociais e melhoria da infraestrutura dos bairros. Lá, por exemplo, o índice de cobertura da rede de esgoto saltou de 58% para 86% nos últimos anos, tornando-se o município do Estado que mais avançou em saneamento.

Cada morte a menos deve ser louvada, é claro, mas os números ainda não podem ser comemorados. Apesar dos esforços empreendidos até aqui, neste ano 498 pessoas já foram assassinadas no Estado – é como se um Boeing 737 lotado caísse a cada dois meses. Infelizmente, alguns ingredientes cruciais ainda estão fora da fórmula. O acesso e a permanência na escola, assim como a profissionalização de jovens, estão abaixo dos limites estabelecidos pelo Brasil em lei, no Plano Nacional de Educação. Quase metade da população capixaba parou de estudar no ensino fundamental ou mesmo antes. As crianças, jovens e adultos que estão fora das salas de aula são justamente aqueles mais vulneráveis. Não dá para claudicar diante de tragédias.

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