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Ônibus sem cobrador é modernização inevitável no transporte público

Avanços tecnológicos nos serviços públicos de mobilidade devem, contudo, estar acompanhados de políticas de inclusão

Ônibus do sistema Transcol com ar condicionado
Ônibus do sistema Transcol com ar condicionado
Foto: Fernando Madeira

O tempo não para. Com os avanços tecnológicos se sucedendo com uma velocidade avassaladora, as mudanças são profundas. Não é diferente no mercado de trabalho. A greve dos rodoviários em curso na Grande Vitória, motivada pela automação da cobrança na nova frota do Transcol, é reflexo disso. Mas não há como escapar: a prestação de serviços, públicos ou não, não pode se apegar ao passado diante da modernização que chega para facilitar o cotidiano de todos. É impossível imaginar a vida hoje sem aplicativos de transporte, de alimentação e outras tantas comodidades.

> UM TEMA, DUAS VISÕES: Ônibus do Transcol sem cobrador é a melhor opção?

Desde a Revolução Industrial, o trabalhador tem sido incitado a combater a máquina, pela ameaça constante de que esta ocupe definitivamente o seu lugar. De lá para cá, a humanidade viveu momentos semelhantes de contestação à tecnologia. A chegada da luz elétrica fez desaparecer os acendedores de lampião, mas ao mesmo tempo promoveu a possibilidade de uma vivência noturna, até então limitada.

> Quem não se adaptar às mudanças do trabalho ficará fora do mercado

A indústria do entretenimento explodiu e milhões de empregos, até então fora de qualquer horizonte, foram criados. O transporte coletivo sem cobradores é um caminho natural - e aqui não há contradição - num mundo cada vez mais digital. Afinal, até mesmo o dinheiro em cédulas anda saindo de circulação. Como mostrou este jornal na segunda-feira (12), nada escapa da automatização: a própria Justiça já começa a se beneficiar da inteligência artificial, para ganhar agilidade e, assim, ser ainda mais justa. A revolução ocorre sem que se dê conta.

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O progresso, contudo, precisa andar ao lado do planejamento estratégico. Não pode ser deslocado de uma política de inclusão dos trabalhadores que venham a perder seu espaço, porque criará outros problemas ainda mais graves. Os que estão na escola também precisam ser preparados para este novo mundo. O alijamento do mercado de trabalho acabará ampliando os abismos sociais. O resultado é mais pobreza e mais violência, estabelecendo-se um círculo vicioso de falta de oportunidades e convulsão social.

Por isso, é tão importante que governos, empresas e lideranças tenham em mente que esse processo de inclusão é imprescindível para que a modernização não seja à custa da formação de párias tecnológicos. Não pode faltar visão estratégica e qualificação, o que só é possível quando se prioriza a educação de qualidade, antenada com as novas dinâmicas produtivas. É um desafio e tanto para um país que já possui um exército de mais de 12 milhões de desempregados. As adaptações devem ser rápidas, porque as mudanças, felizmente, não darão trégua.

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