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Fies: endividamento de 5 mil no ES expõe necessidade de melhor gestão

Inadimplência expõe os desafios de um país que depende da educação de qualidade, em todos os níveis, para se colocar competitivo e capaz de atrair investimentos

Foto: Marcos Santos | USP Imagens | Reprodução

A crise do endividamento com o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) é uma das faces mais cruéis da própria crise de empregabilidade que se instaurou no país. Retrata o drama de estudantes que buscaram investir na formação superior e encontraram um mercado de trabalho de portas fechadas, não somente em decorrência do crescimento do desemprego, mas também da má qualidade do ensino. Uma associação capaz de implodir, de uma vez só, sonhos profissionais e a esperança de uma nação mais produtiva.

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Somente no Espírito Santo há mais de 5 mil inadimplentes, em um universo de 50.123 contratos ativos, com uma dívida total de R$ 115,1 milhões, como mostrou reportagem deste jornal no  domingo (01/09). O Comitê Gestor do Fundo de Financiamento Estudantil (CG-Fies) considera nessa situação as pessoas que estejam ao menos 90 dias sem pagar o financiamento.

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Em linhas gerais, o Fies, instituído em 1999 pelo governo FHC, é um financiamento com taxas acessíveis no qual, ao longo do curso, o aluno paga o valor referente aos juros. Após receber o diploma, as parcelas passam a corresponder às mensalidades. É um sistema de empréstimo que impulsionou o acesso ao ensino superior no Brasil, mas acabou sucumbindo à crise econômica e aos equívocos na própria gestão, como a distribuição sem critérios de bolsas em instituições de ensino superior de baixa qualidade.

Por ser um empréstimo atrelado ao êxito profissional do estudante pouco após a formatura, faz-se necessária uma avaliação dos cursos com maior abertura para o mercado. A mesma reportagem trouxe a informação de que o curso de Pedagogia é o que mais possui endividados no Estado, com 900 pessoas que devem R$ 14,3 milhões ao governo federal. Em seguida, o curso de Direito, com 720 endividados e R$ 20,8 milhões a serem pagos. Especialistas indicam que são cursos em que há nítida saturação, o que transforma o ingresso no ensino superior um tiro no escuro para o futuro profissional. É, com seriedade, um critério a ser levado em consideração, para a própria sustentabilidade do financiamento.

A inadimplência expõe os desafios de um país que depende da educação de qualidade, em todos os níveis, para se colocar competitivo e capaz de atrair investimentos. Por isso, é tão importante que a gestão do Fies seja mais rigorosa, para que não se transforme em uma bola de neve ainda maior para os que dependem dele.

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