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Pontos comerciais vazios compõem uma paisagem de desolação econômica

Medidas importantes, como a desburocratização que já deu alguns passos, precisam ser implementadas para propiciar o empreendedorismo e a livre concorrência

Salas comerciais para alugar na Reta da Penha, em Vitória
Salas comerciais para alugar na Reta da Penha, em Vitória
Foto: Ricardo Medeiros - 06/09/2019

É principalmente no comércio que se sente a pulsação de um bairro e da própria cidade, o que torna tão desanimador que existam tantos pontos comerciais inativos na Grande Vitória. Placas de “aluga-se” e “vende-se” compõem uma paisagem de desolação econômica, um retrato que emoldura o aprofundamento da crise dos últimos anos no país.

Este jornal estampou em sua manchete desta terça-feira (10) que o Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Espírito Santo (Sindimóveis-ES) faz a estimativa de que 30% das lojas e salas comerciais na região estejam desocupadas. É um percentual considerável, mas não surpreende quem anda pelas ruas. O fechamento de lojas e a dificuldade de passar o ponto são visíveis. Os bairros que mais sentem esse desaquecimento, na avaliação do sindicato, são Jardim da Penha, Jardim Camburi e Centro de Vitória, na Capital; Itapoã, Centro e Praia da Costa, em Vila Velha; e São Geraldo e Vera Cruz, em Cariacica. Em muitos casos, bairros com tradição na manutenção de um comércio local vibrante.

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Nem mesmo os shoppings centers, outrora considerados os vilões do comércio de rua, escapam da crise. Só existem dados nacionais, e eles apontam que a taxa de vacância gira em torno de 5,7%, valor considerado significativo no setor.

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O país ainda patina para a retomada econômica, mesmo que pautas imprescindíveis como a reforma da Previdência estejam bem encaminhadas. Mas é preciso avançar mais. Medidas importantes, como a desburocratização que já deu alguns passos, precisam ser implementadas para propiciar o empreendedorismo e a livre concorrência, criando um ambiente de negócios mais favorável a quem quer contribuir pelo crescimento do país. Menos teorizações, mais prática.

Há desafios que estão além da própria crise, como o fortalecimento de uma nova dinâmica comercial propiciada pelos avanços tecnológicos que impulsionam, por exemplo, o e-commerce e a alimentação com o uso de aplicativos. É um mundo novo, contra o qual não se pode lutar, mas que pode ser aperfeiçoado. Governos terão de aprender a lidar com as mudanças, encontrando caminhos para manter o ânimo de que o comércio precisa.

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