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"Parem de culpar as vítimas", diz leitor sobre cartaz polêmico em escola

Trabalho exposto nas paredes de colégio de Vila Velha provocou revolta nas redes sociais por abordar assédio e agressão contra as mulheres culpando as vítimas pela violência

Cartazes foram expostos em escola de Vila Velha
Cartazes foram expostos em escola de Vila Velha
Foto: @Jescabohen | Twitter

Um trabalho escolar exposto nas paredes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Padre Humberto Piacente, no bairro Industrial Alecrim, em Vila Velha, provocou revolta nas redes sociais por abordar o tema sobre assédio e agressão contra a mulher culpando as vítimas pelas violências sofridas.

Em um dos painéis, está escrito que as mulheres devem “ser menos vulgar (sic)” e “ter mais consciência antes de se envolver com alguns homens pois muitas acabam sendo agredidas”. Há ainda um cartaz que apresenta “lições” de como as mulheres devem se vestir para não serem assediadas.

A escola argumentou que os cartazes são parte de um projeto de valorização da mulher, previsto para o mês de março e desenvolvido por diversos professores. Sobre as críticas, alegou que os painéis mostrados nas redes sociais estão fora de contexto. A explicação, no entanto, não foi satisfatória, e a polêmica continuou nas redes sociais.

No Facebook do Gazeta Online, os leitores manifestaram a opinião de que machismo e violência contra a mulher deve ser amplamente debatido nas escolas, com projetos pedagógicos eficazes. Confira alguns comentários:


É por isso que a discussão sobre gênero e machismo na escola precisa ser garantida. Se alunos do 1º ano do ensino médio ainda pensam assim, certamente é porque reproduzem um discurso de parte da sociedade, sem terem tido a oportunidade de uma reflexão crítica sobre o tema. Enquanto a escola ignorar esses e outros assuntos, o pensamento não evoluirá para o respeito às mulheres. Nenhum comportamento da mulher justifica violência contra ela. Nenhum.
(Ériton Berçaco)

Se todos os cartazes seguem a mesma linha, é porque é dessa forma que o tema foi abordado nas aulas. Aparentemente, o professor precisa rever o que foi feito. (Ana Paula Mélo)

O assunto é polêmico. A visão da diretora com certeza não foi culpar as mulheres, e sim sentir o que os alunos pensam a respeito e depois trabalhar com eles sobre o assunto. Todos nós precisamos fazer uma reflexão sobre o assunto e tentar encontrar uma solução para que esses casos não aconteçam mais. O adolescente é facilmente influenciado. Por isso é preciso trabalhar em conjunto, escola e família. A intenção da escola é boa. Porém a exposição dos cartazes talvez tenha sido desnecessária. O assunto é sério e precisa ser tratado na base mas com responsabilidade e profissionais competentes. (Demosthenes Soares)

E é por isso que o ES não sai das estatísticas de pior estado para as mulheres. (André de Aguiar Soares)

Por causa desse tipo de “opinião” é que as mulheres estão morrendo! As mulheres têm o direito de serem respeitadas. (Leandro Rocha)

 

Não é opinião quando reforça uma cultura que mata um grupo pessoas. Revejam seus conceitos. (Mayara Silva Santos)

Por muito, muito tempo esse foi o pensamento. Mas homens e mulheres precisam entender que estamos dando um passo a mais em direção à liberdade e aos direitos. E por isso a mulher, o travesti, quem quer que seja pode usar o que quiser. A forma que alguém se veste não dá direito para ninguém fazer nada. É questão de evoluir. E a violência é culpa única e exclusivamente do agressor. (Debora Lopes)

Eu fico e triste com pessoas concordando com essa frases escritas nesse cartazes. Quer dizer então que um homem nessas esquinas da vida por aí tem o direito de pegar uma mulher pelo simples fato de ela estar com roupas curtas? Ele pode agredi-la e violentá-la ou até matá-la? Vamos longe pesando assim. Independentemente das roupas, merecemos respeito. (Roseli Alçaedes)

O problema não é os alunos virem de casa com esse pensamento, mas o projeto escolar deveria mudar esse tipo de pensamento e não incentivar que escrevam esses absurdos em cartazes para propagar ainda mais ideias machistas. São valores que precisam ser debatidos na sala de aula para mudar esse pensamento tão enraizado em nossa sociedade. (Carol Langoni)

Por pensamentos assim que mulheres são assediadas, estupradas, agredidas e mortas todos os dias. Lamentável. (Mateus Almeida)

 

Neste caso devo ressaltar a falta de planejamento do professor e a deficiência metodológica na realização da proposta. Percebi ausência de orientação pedagógica. Precisamos entender quem foi o professor que conduziu esta barbárie; não será uma vítima dessa violência? Deve ter permitido e nem ter visto a seriedade ou, de repente, nem percebeu por também ter enraizado pensamentos tão machistas e retrógrados. (Luciana Maximo)

Ensinem os seus filhos a respeitarem as mulheres com qualquer roupa que ela esteja ou qualquer atitude que ela tenha. Vergonhoso e triste. A culpa é de quem? Da escola ou da família? (Karolaine Daniel)

E depois não querem que se fale sobre questões de gênero nas escolas. As crianças têm que entender desde cedo que roupa curta ou mulheres saírem sozinhas não dão direito a homem nenhum de assediá-las. Não tem justificativa para assédio. Parem de culpar as vítimas. (Thomas Ferreira)

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