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Jovens nem-nem: leitores relatam dificuldades para conseguir emprego

Espírito Santo tem 107 mil jovens que nem estudam, nem trabalham nem procuram emprego, os chamados "nem-nem-nem". Internautas apontam os obstáculos que essa parcela da população enfrenta para entrar no mercado de trabalho

Entre os 191.635 jovens que não trabalham nem estudam, 84.116 no Espírito Santo estão à procura de oportunidade
Entre os 191.635 jovens que não trabalham nem estudam, 84.116 no Espírito Santo estão à procura de oportunidade
Foto: Divulgação

O Espírito Santo tem 107.519 jovens que nem estudam, nem trabalham nem procuram emprego, os chamados “nem-nem-nem”. Fora da escola e sem chance de encontrar um trabalho, parte dessa população desistiu de ir em busca de uma colocação profissional.

O cenário, segundo especialistas, agravou-se com a crise financeira e tem raízes na baixa qualidade do ensino. “É lógico que alguns entram nessa situação por opção, porque podem depender dos pais. No entanto, muitos desses jovens vivem o viés do desalento. Não têm nível de ensino adequado, não conseguem uma inserção no mercado por conta da baixa qualificação e, por isso, acabam não procurando mais trabalho", explica Pablo Lira, diretor técnico do Instituto Jones dos Santos Neves. 

No Facebook do Gazeta Online, muitos leitores manifestaram-se sobre o tema. Confira alguns comentários:

 

São jovens que veem a realidade sem perspectiva. Afinal estudam para ter conhecimento e emprego, mas a vaga é para quem tem experiência. Como ter experiência se muitas empresas não dão oportunidade a quem quer aprender? Sou técnica de enfermagem e graduanda, vim para Colatina e não me deram oportunidade por não ter experiência na carteira. Fiz concurso para serviços gerais para ter um emprego. Esse é o Brasil que temos hoje! Lastimável. (Dani P. Xavier)


Conheço pessoas que terminaram o ensino médio e estão procurando emprego, já espalharam currículos e nada. Precisam fazer um curso, mas para isso precisam ter emprego para pagar o curso... (Cristiana Oliveira)


Tá tenso hoje em dia, até para serviços gerais o mercado exige experiência de tantos meses e com carteira assinada ainda. Já fiz vários cursos e não consigo entrar no mercado. Tive que ser autônomo se quisesse ganhar algo. (Bruno Miranda Martinelli)


Fora o fato de estudarmos pelo menos quatro anos para adquirir conhecimento e um diploma e ganharmos salários baixíssimos. Hoje se pede muitas qualificações para pouco reconhecimento salarial. (Mayara Egidio Liberato)

 

Tenho 59 anos e custei a arrumar meu primeiro emprego com carteira assinada, mesmo tendo uma boa formação e cursos do Senac e Senai. As empresas exigem experiência e pagam uma miséria. Aprendi a me virar por conta própria, mas a minha realidade era e é outra bem diferente da desses jovens carentes. (Luciana Honorato)


Quando fiz 18 anos, fiz todos os cursos disponíveis no Sine, fiz uma pilha de currículo e saí espalhando de Joana D'Arc até a rodoviária a pé. Por Deus do céu, até hoje nunca fui chamado para nada. Em determinado momento desisti, só queria ficar deitado, achei que nada daria certo. Até vir a ideia de trabalhar por conta própria. Não desanimem, meus irmãos. Usem o talento de vocês para ganhar uma grana. No meu caso, comecei a fazer lanche dentro de casa mesmo e vender. Não é que deu certo? (Gilberto Miguel)


Trabalhei mais de 10 anos da minha vida em coisas que não gostava, era mal remunerado e era cansativo. Mas nunca deixei de acreditar que um dia seria diferente. Enquanto trabalhava me preparava, para um dia estar pronto. Não adianta culpar o sistema. Hoje não estou rico, mas vivo melhor que antes. (Marcio Rodrigues)


Ser negro não nos impede de nada, o que atrapalha é o racismo. Ser formada há 10 e ter duas pós não impediu um empregador de me questionar se eu era formada mesmo. Pense nisso. (Rosilene da Silva)


Tenho 23 anos, não trabalho porque essas empresas só querem com experiência. Mas como vou ter se as empresas não dão oportunidade? (Jaiane Costa)


Entrevistei 154 jovens, 110 não tinham experiência e não aceitaram a vaga de vendedor. Um cidadão com experiência negar uma oportunidade na área de vendas e atá aceitável, mas ouvir isso de alguém que nunca trabalhou é o sinal de uma geração que não sabe pra onde vai. Isso está acontecendo em Linhares. (Ubirajara Barcellos)


É triste, principalmente para nós, jovens entre 18 e 24 anos. Eles querem contratar pessoas com experiência, mas nós nem começamos com um trabalho, como teremos experiência? (Nícolas Vaillant Ramos)


Para quem vem de uma classe média baixa, mas ainda teve oportunidade de fazer cursos e faculdade, já está difícil. A questão é que a instituição “emprego de carteira assinada” torna-se cada vez mais rara, e a cada dia mais pessoas buscam o mercado informal. (André Bastos) 

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