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Atraso na fala é o principal sinal de autismo, diz psiquiatra

Falta de comunicação ou de habilidades sociais apontam para o distúrbio psicológico

Autismo
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Foto: Divulgação

“Não existe isso de que cada um tem seu tempo”, avisa o psiquiatra Fábio Barbirato, coordenador do Serviço de Neuropsiquiatria da Infância e Adolescência da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Se a criança até os 16 meses não diz nenhuma palavra, tem que investigar. Pode ser que esteja apenas um pouco atrasada, mas é necessário que seja avaliada por um profissional especializado no desenvolvimento linguístico.

Um estudo recente da Academia Americana de Pediatria demonstrou que em 83% dos casos em que os pais procuram ajuda para seus filhos com idade média de 2 anos e meio, apenas um terço chegou ao diagnóstico antes dos 3 anos e 4 meses. Os demais só aos 5 anos e meio, quando o comprometimento social será maior ao longo da vida e, segundo a Organização Mundial da Saúde e a Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência, já passou a fase em que o prognóstico é mais favorável para o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

“Posso ver sinais de alerta em um bebê que, aos 6 meses não apresenta expressão de alegria; aos 9 meses não compartilha sons, sorrisos, ou outras expressões faciais; aos 12 meses não balbucia, não compartilha gestos, apontando, mostrando. Se a criança nessa idade te pega pela mão para mostrar o que quer, não está se comunicando e sim usando você como instrumento, é um sinal. Se não for autista, vai apontar, é o que chamamos de atenção compartilhada. São alertas importantes quando, aos 24 meses, a criança não diz nenhuma frase significativa com duas palavras (sem estar imitando ou repetindo). A ausência da fala ou de habilidades sociais são sinais em qualquer idade”, explica.

Os transtornos psiquiátricos mais frequentes na infância e adolescência são, no entanto, a ansiedade e a depressão. A ansiedade pode até ser considerada normal quando não compromete o desenvolvimento. Há vários tipos e, se a criança vai frequentemente ao pediatra porque está com imunidade baixa, náusea, enjoo, mas não é possível definir clinicamente um problema físico e o quadro está associado a uma preocupação excessiva, pode ser um transtorno psiquiátrico.

“Quanto mais nova a criança, mais sintomas físicos vai ter na apresentação da depressão e da ansiedade, que podem ocorrer juntas ou separadas”, conclui. (O Globo)

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