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Ácidos, tripa e gordura: o que tem na salsicha, mortadela e linguiça?

Levantamento feito pelo Gazeta Online revela que salsichas, mortadela e linguiças podem conter tripas, tendões, (muita) gordura e aditivos químicos

Linguiça e salsicha
Linguiça e salsicha
Foto: Pixabay

Após as investigações da

Operação Carne Fraca

, da Polícia Federal (PF), que revelou fraudes na fiscalização de grandes empresas do ramo alimentício, volta a ser questionada a composição de certos alimentos processados como a salsicha, mortadela e linguiça – produtos que já possuem fama de serem feitos com ingredientes gordurosos e restos de carnes.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) cedeu ao Gazeta Online planilhas que detalham o que pode e o que não pode ter nesses alimentos, bem como os aditivos químicos que são permitidos. O órgão destaca, no entanto, que essas substâncias não podem ser utilizadas em carnes frescas ou congeladas.

Segundo o levantamento, alguns tipos de linguiça, por exemplo, podem conter tripas artificiais e, além disso, tanto a salsicha quando a mortadela possuem uma quantidade considerável de gorduras. Na composição desses embutidos também podem ser encontrados tendões, miúdos de várias espécies de animais e aditivos químicos que mantêm a cor, sabor e conservam esses produtos.

´É melhor evitar

De acordo com o nutrólogo Roger Bongestab, os embutidos - como salsichas, mortadela e peitos de peru defumados - contêm substâncias pré-cancerígenas, pois têm em sua composição substâncias como os nitratos e nitritos. “Esses químicos ativam a multiplicação errada de células do estômago e do intestino, principalmente, e podem levar ao desenvolvimento de um câncer. Não é porque você come que terá a doença, mas é melhor evitar”, completa, justificando que a propensão genética também deve ser levada em conta.

Bongestab pondera que é importante a pessoa escolher e pesquisar sobre a procedência da carne. "A carne vendida em mercados livres é mais fresca, mas precisamos ficar atentos à forma que ela está armazenada e a como ela está exposta, se não há insetos pousando. Teoricamente, a carne de frigoríficos é mais segura, já que passa por uma série de fiscalizações, mas também podemos prestar atenção à sua aparência, se é de carne fresca, e ao cheiro", salienta.

O nutrólogo garante que é importante que o consumo de carne seja feito ao menos três vezes na semana, já que é uma boa fonte de ferro para o organismo. "Ao comprar a carne, ela pode ser congelada, em vasilhames, e uma vez descongelada ela não deve voltar ao freezer. Depois de retirá-la do congelador, o ideal é prepará-la e consumir em seguida", frisa. O médico alerta que também não é bom congelar a carne depois de pronta. "Se isso for feito, o alimento perde muitas propriedades funcionais", finaliza.

Veja o que cada tipo de salsicha, mortadela e linguiça pode conter em sua composição:

Salsicha

Comum: carnes de diferentes espécies de animais de açougue, carnes mecanicamente separadas até o limite máximo de 60%, miúdos comestíveis de diferentes espécies de animais de açougue (estômago, coração, língua, rins, miolos, fígado), tendões, pele e gorduras.

Tipo Viena: carnes bovina e/ ou suína e carnes mecanicamente separadas até o limite máximo de 40%, miúdos comestíveis de bovino e/ ou suíno (estômago, coração, língua, rins, miolos, fígado), tendões, pele e gorduras.

Tipo Frankfurt: carnes bovina e/ ou suína e carnes mecanicamente separadas até o limite de 40%, miúdos comestíveis de bovino e/ ou suíno (estômago, coração, língua, rins, miolos, fígado), tendões, pele e gorduras.

Mortadela

Comum: carnes de diferentes espécies de animais de açougue, carnes mecanicamente separadas, até o limite máximo de 60%, miúdos comestíveis de diferentes espécies de animais de açougue (estômago, coração, língua, fígado, rins, miolos), pele e tendões no limite de 10% e gorduras.

Tipo Bologna: carnes bovina e/ ou suína e/ ou ovina e carnes mecanicamente separadas até o limite máximo de 20%, miúdos comestíveis de bovino, e/ ou suíno e/ ou ovino (estômago, coração, língua, fígado, rins, miolos), pele e tendões no limite de 10% e gorduras.

Italiana: porções musculares de carnes de diferentes espécies de animais de açougue e toucinho, não sendo permitida a adição de amido.

De carne de ave: carne de ave, mecanicamente separada, no máximo de 40%, até 5% de miúdos comestíveis de aves (fígado, moela e coração) e gordura.

Linguiça

Calabresa: é o produto obtido exclusivamente de carnes suína, curado, adicionado de ingredientes, devendo não ter o sabor picante característico da pimenta calabresa, submetidas ou não ao processo de estufagem ou similar para desidratação e ou cozimento, sendo o processo de defumação opcional.

Portuguesa: é o produto obtido exclusivamente de carnes suína, curado, adicionado de ingredientes, submetidos à ação do calor com defumação.

Toscana: é o produto cru e curado obtido exclusivamente de carnes suínas, adicionada de gordura suína e ingredientes.

Paio: é o produto obtido de carnes suína e bovina (máximo de 20%) embutida em tripas natural ou artificial comestível, curado e adicionado de ingredientes, submetida à ação do calor com defumação.

Aditivos

Questionado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) disponibilizou uma tabela ao Gazeta Online que detalha todos os aditivos que são permitidos de ser usados em produtos cárneos, embutidos ou não. Para carnes frescas ou congeladas, o Mapa ressalta que é proibido o uso desses componentes.

De acordo com essa relação, são permitidas substâncias que regulam a acidez do produto, reguladores de cor, acidulantes, realçadores de sabor, espessantes, estabilizantes, conservantes, corantes, umectantes e antioxidantes. Para isso, são utilizados até ácidos, nitratos, lactatos, nitritos, fosfatos e citratos.

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