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Mães que amamentam devem evitar a maconha, afirmam pediatras

Recomendação foi dada por associação americana depois que estudo detectou ingrediente psicoativo da droga em 63% das amostras de leite de lactantes

Pesquisas sobre efeitos da droga são cada vez mais necessárias à medida que mais e mais países legalizam uso medicinal e recreativo
Pesquisas sobre efeitos da droga são cada vez mais necessárias à medida que mais e mais países legalizam uso medicinal e recreativo
Foto: Reprodução/Pixabay

A maconha está mais disponível que nunca, mas o que ela faz com os bebês? Ainda não há resposta para isso, mas mães que amamentam estão sendo aconselhadas a evitá-la: traços da droga podem aparecer no leite, diz a Academia Americana de Pediatria (AAP).

O tetraidrocanabinol, ou THC, ingrediente psicoativo da maconha, foi detectável em 63% de 54 amostras de leite de mulheres que informaram terem usado a droga antes de colher o leite.

Em reposta a esta evidência de que os bebês estão sendo expostos à maconha, a AAP recomenda que as mulheres evitem completamente a droga enquanto estão grávidas ou amamentando.

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Pesquisas sobre os efeitos potenciais da maconha se tornaram particularmente relevantes à medida que mais estados americanos se voltam para a legalização e grávidas consomem a droga em números cada vez maiores. O uso recreativo é legal em oito estados americanos e no Distrito de Colúmbia, e 30 estados permitem alguma forma de uso medicinal. Nova York recentemente deu passos rumo à permissão do uso recreativo da maconha.

O movimento rumo à legalização também está ganhando momento em países como o Canadá e o Reino Unido, e ao mesmo tempo atraindo muitos dólares de investidores que querem aproveitar o crescimento da indústria. A empresa dona da Corona recentemente investiu US$ 4 bilhões em uma produtora de maconha.

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Foto: Reprodução/Pixabay

Mas a AAP alerta que, apesar do afrouxamento das restrições, a maconha não é necessariamente segura para os bebês.

- O fato de a maconha ser legal em muitos estados pode dar a impressão de que a droga é inofensiva durante a gravidez, especialmente diante de histórias circulando nas mídias sociais sobre seu uso para a náusea dos enjoos matinais – diz Sheryl A. Ryan, presidente do Comitê para Uso e Prevenção de Drogas da AAP. - Mas o fato é que ainda há uma grande questão (quanto a isso).

Pesquisas preliminares sugerem que o THC pode travessar a placenta e chegar ao feto, potencialmente prejudicando o desenvolvimento do cérebro, da cognição e o peso ao nascer. Mas estudos sobre os efeitos da maconha na gravidez e na lactação ainda são relativamente raros.

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O estudo da APP, que testou leite no lugar dos bebês, não fornece evidências de como ou se as crianças são afetadas. Ele também ressalta que a quantidade da droga ingerida pelos bebês pode variar significativamente.

Mas o trabalho sobre o tema é ainda mais importante agora que a maconha está ficando mais potente, diz Christina D. Chambers, professora de pediatria da Universidade da Califórnia em San Diego e uma das autoras do estudo.

- Precisamos do uso atual de produtos hoje disponíveis para realmente entender os níveis de exposição e procurar por resultados que são relevantes para a atualidade – considera.

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Mais pesquisas também são necessárias para que os médicos possam fazer recomendações baseadas em evidências, acrescenta:

- Isso cria um dilema para os pediatras que querem que suas pacientes amamentem, mas se preocupam que algumas mães, se aconselhadas a não fumar maconha, acabem não amamentando.

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