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As novas caras do design de joias no Espírito Santo

Você vai conhecer quatro designers de joias cujos quilates têm feito a alegria de quem a-do-ra modernidade

Elas são jovens, talentosas e fazem parte da nova geração de designers de joias que ganha as atenções dos capixabas. Ivana Izoton, Marina Coser, Juliana Bossanel e Carol Poubel transformam metais preciosos, pedras e pérolas em objetos de desejo para um público que aprecia o design e a autenticidade. De formas inspiradas na arquitetura até peças multifuncionais, elas inovam para se destacar em um mercado cada vez mais concorrido.

Arquitetura em forma de joias

Ivana Izoton tinha tudo para seguir o caminho mais óbvio. De uma tradicional família da moda, os pais são donos da Cobra D'água, onde ela até chegou a trabalhar. Mas após alguns anos, decidiu que era hora de colocar a mão na massa e realizar um sonho. Foi em 2012 que ela criou sua primeira joia: um par de brincos longos de pérolas de água doce. Pendurou nas orelhas e foi um sucesso entre as amigas. “Conheci um senhor que era ourives e a identificação foi imediata. Ele falou que eu tinha jeito para criar joias e pensei: “Nossa, jamais. Tenho outras coisas para fazer”, lembra do início. O tempo passou e foi no ano passado que ela assumiu a posição de designer promissora.

A capixaba cursou ourivesaria e agora quer estudar design de joias. “Neste mercado tudo é novidade e, como se fosse uma artesã, eu produzo tudo. Nas aulas eu dava gritinhos de felicidades, porque via as minhas peças se transformarem”, conta. Ivana cria peças modernas, mas que também são clássicas e possuem um quê de arquitetura. A primeira coleção, que tinha anéis e cordões, foi feita com algumas pedras. “Foi quando tive coragem de mostrar o meu trabalho para as pessoas. Usei as pedras trazidas de viagens pelo meu pai, por isso tem um significado todo especial para mim. As pedras não foram lapidadas, gosto do diferente”, afirma a designer.

Ivana foi apresentada ao mundo das joias pela mãe, Célia. “A minha irmã nunca curtiu, já eu, amava. Inclusive as alianças que uso nos dedos foram presentes dela”. A canceriana, que costuma andar com um caderno dentro da bolsa, diz que se emociona com muitas coisas. As pérolas e os diamantes são os favoritos. “Acho feminino e delicado. Ao criar as joias penso na minha cliente, que é a mulher moderna. Ela pode estar de jeans e camiseta, mas também usando um vestido de seda e um salto alto. As peças transitam entre o dia e a noite”, ressalta.

Ela não para. Sua última coleção se chama Furoto, palavra que em japonês significa flutuar. “Todas as peças são feitas em ouro 18k, nas opções branco e rosé, com pérolas naturais brancas, negras e rosas. A proposta do design é que as pérolas se equilibrem e flutuem de forma delicada e inusitada nas hastes de metal, que tem acabamento bem fosco”. A pedido dos amigos, ela também criou peças masculinas. “São anéis de prata com design bem limpo, onde usei bastante linhas retas, efeitos geométricos delicados e acabamento em ródio negro”.

Recentemente também inaugurou seu estúdio e um showroom no Patio 365, um espaço multi-talentos na Praia do Canto, que agrega moda, design, arte e fotografia. É ali que ficam expostas suas criações. Você só não encontrará o cordão de ouro com banho de ródio negro, com pedra ágata e brilhante. “É a minha peça favorita. Não sei o que ela causa, mas não posso vender. Representa muito na minha história”. Ivana também participou este mês do Joialerismo Expo, um evento que reúne novas marcas do design de joias no Rio de Janeiro.

Joias minimalistas e modernas

As joias de Marina Coser foram destaque no site da revista "Harpers Bazaar Brasil"
As joias de Marina Coser foram destaque no site da revista "Harpers Bazaar Brasil"
Foto: Marcelo Prest

A vontade de ter peças a seu gosto levou a economista Marina Serrão Coser a desenvolver as próprias joias, que logo viraram sucesso entre suas amigas. Ela começou, na verdade, criando uma joia de presente para a mãe, Fernanda. “Era aniversário de 50 anos dela e pensava em uma peça que tivesse a ver com a família, mas não queria nada tradicional”. Foi aí que criou um pingente com quatro faces, onde de cada lado se lê o nome de um membro da família. A repercussão foi imediatada e a mãe não tira a joia do pescoço.

Marina conta que sempre gostou de moda e que chegou a cursar arquitetura durante um ano e meio. A experiência a ajudou nas criações cheia de detalhes. Em 2015, paralela a faculdade de economia, se matriculou numa escola de design de joias em Vitória, e se apaixonou. “Com o curso surgiu a oportunidade de desenhar e fazer o primeiro brinco. Deu errado e não ficou do jeito que imaginava. Como fase de teste foi importante para aprender. Logo depois criei a joia da minha mãe”, lembra. A capixaba define suas peças como minimalistas e modernas.

Acessórios que tem conquistado espaço até da mídia nacional. A blogueira Camila Coutinho usou duas peças da coleção “Maui”, em ouro e diamante, durante um evento em São Paulo. E depois as peças foram parar no site da revista “Harper’s Bazaar Brasil”, no mês passado. A joia em questão foi feita com pedras de granada, considerada como a pedra do fogo, guardiã do amor e da paixão. As mais comuns são as rubras, em suas diferentes tonalidades, mas pode-se encontrar granadas verdes, amarelas, laranjas, castanhas, brancas e até incolores. A coleção Constelação, inspirada nas estrelas, foi a última a sair do forno. “Nas criações uso ouro e pedras naturais como diamantes, topázio, turmalina, granada e citrino”, diz.

Tradição renovada

Juliana  Bossanel assumiu os negócios da família,  que tem tradição em joalheria
Juliana Bossanel assumiu os negócios da família, que tem tradição em joalheria
Foto: Ricardo Medeiros

Qualificação não falta pra ela. Formada em Comunicação Social com dois MBAs – em Marketing e em Gestão Empresarial – também fez cursos Neurolinguística, o famoso Empretec, e Gestão Prática do Varejo. E mais: este ano começou a atuar voluntariamente como Diretora de Projetos do CINDES Jovem com a proposta de contribuir para o associativismo, promovendo o desenvolvimento do empreendedorismo jovem no Estado e no país.

Juliana Lobo Bossanel, de 32 anos, se preparou para ir longe. Mas, por conta de uma necessidade, acabou descobrindo que sua realização estava bem mais perto do que esperava. A família – que tem tradição em joalheria – precisava de alguém para dar continuidade a empresa e o nome dela foi sugerido.

Juliana não só aceitou o desafio como descobriu, nele, sua nova paixão. Tanto que fez cursos de design de joias em Nova York e SP e passou a criar peças mais modernas para serem usadas no dia a dia.

“Assim nasceu a Bossanel Light, uma nova marca, que mantém nossa tradição já conhecida pelas capixabas, mas de forma renovada, com peças contemporâneas”, explica.

Ter crescido na joalheria da família com certeza fez diferença na hora da criação. “Não se pode desprezar a experiência de quem está no mercado há mais de 30 anos. Com certeza ter acompanhado o trabalho do meu pai me ajudou muito, mas muita coisa me inspira na hora de criar: a arte, a música, as formas da natureza, as viagens, a gastronomia...”

A gastronomia, aliás, é outra paixão de Juliana. O que a fez buscar qualificação também nessa área. É formada em Gestão da Gastronomia e ama cozinhar para a família e os amigos. “Adoro provar novos sabores, texturas e aromas. Também sou apaixonada por vinhos e chocólatra assumida”, revela ela que, como seu pai, faz questão de manter bem estreita a relação com o cliente.

“O atendimento deve ser cada vez mais personalizado. Gosto dessa vivência com o cliente. Gosto de pensar em cima de desejo dele. Assim, posso desenvolver coleções cápsulas exclusivas”, acrescenta ela que gosta de mesclar ouro, pedras e couro.

Para ela, a melhor parte de tudo isso é poder participar dos sonhos e se emocionar com um noivo apaixonado, com um filho agradecido, um pai orgulhoso. “É muito bom saber o quanto é importante o produto contar uma história, ter um significado, uma história”.

Peças que se transformam

Além de criar joias desde 2008,  a designer Carol Poubel fundou a Escola Capixaba de Design e Joalheria, em  Vitória
Além de criar joias desde 2008, a designer Carol Poubel fundou a Escola Capixaba de Design e Joalheria, em Vitória
Foto: Guilherme Ferrari

Melhor do que ter uma joia, é ter uma joia que possa se transformar em outros modelos diferentes. Pelo menos é assim que pensa a designer Carol Poubel. Os sete brincos de sua nova coleção, a “Em Cantos”, se recombinam entre si, formando até 20 peças diferentes, entre novos brincos, pingentes e pulseiras.

“Queria fazer algo que representasse a junção perfeita da geometria espelhada com um toque de leveza. A ideia é que essas peças sejam companhias inseparáveis das mulheres: no dia a dia, usadas de forma mais discreta e, em ocasiões especiais, em formações mais ousadas, mas sempre sofisticadas”, explica.

Todas as peças são feitas em ouro 18 quilates, com turmalinas negras e diamantes, os brincos apresentam mecanismos internos que permitem que eles se unam uns aos outros, formando novos acessórios.

Formada em Design pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Carol cria joias desde 2008. É a criadora da Oficina Escola Capixaba de Design de Joalheria, a primeira instituição de ensino no Espírito Santo voltada para a formação profissional no setor.

“Recebemos tanto pessoas que enxergam na joalheria uma boa opção de renda quanto pessoas que primeiramente procuram apenas uma atividade prazerosa, mas acabam gostando tanto da ourivesaria que deixam suas profissões para viver de joias”, conta.

Com estilo moderno e atemporal, Carol se inspira em formas geométricas e encaixes e acredita que uma joia é um objeto de desejo não apenas para durar a vida inteira, mas também para ser usada nas mais diversas ocasiões.

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