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Roupa sob medida é a nova mania no mundo animal

Casaco de tricô, camisa polo e moletom estampado estão em alta no vestuário canino, um segmento em expansão

A buldogue  Cacau com vestido rosa e cachecol em tricô com estampa Pied de Poule
A buldogue Cacau com vestido rosa e cachecol em tricô com estampa Pied de Poule
Foto: Divulgação/ Mariana Massariol

A buldogue inglês Cacau, de 7 anos e 4 meses, tem um guarda-roupa de dar inveja a muita fashionista. São cerca de 40 peças estilosas e coloridas usadas por ela para passeios, idas ao veterinário, à creche ou quando recebe alguma visita em casa.

Sua dona, Mariana Massariol, conta que este apreço por roupas aconteceu desde cedo. “Quando fui buscar a Cacau no canil, com apenas dois meses, já levei um laço enorme pra ela já sair de lá produzida. A partir daí, nunca mais parei: ela sempre ganha laços novos, roupinhas e acessórios”, conta.

Boa parte das peças de Cacau é confeccionada pela mãe de Mariana, já que é difícil encontrar peças prontas que caibam nela. “Como ela é bem ‘rechonchuda’ e possui a cintura mais larga que o quadril, as roupas prontas raramente cabem. Nunca encontrei uma calcinha que coubesse nela, quando fica boa na cintura fica larga no quadril, então minha mãe desenvolveu um modelo com lacinhos laterais para que ela pudesse usar durante os cios”, conta.

Com tanto estilo, Cacau tem seis mil seguidores no Instagram. Inclusive as fotos com fantasias são um sucesso. “Todo ano eu faço uma festinha de aniversário pra ela. Em 2016, quando ela completou seis aninhos, escolhemos o tema Branca de Neve, e foi aí que surgiu a primeira fantasia de personagem famoso. Este ano a temática foi Mulher Maravilha, com direito à fantasia também. Além disso, Cacau foi a convidada especial da nossa festa de casamento, que aconteceu em maio de 2016. Na ocasião, ela usou um vestido idêntico ao das damas de honra, mas com uma diferença: no modelito dela tinha um pequeno detalhe com a mesma renda do meu vestido, confeccionado sob medida para mim pelo estilista Samuel Cirnansck”, conta Mariana.

A buldogue inglês também possui um lenço da Amabilis, cuja estampa é a mesma de uma blusa de sua dona. “Já saímos nós duas com essas peças em uma versão canina de look ‘tal mãe tal filha’. Mas meu sonho de consumo é comprar uma coleira da Louis Vuitton”, conta. Mariana escolheu um vestidinho rosa com cachecol em tricô, com estampa Pied de Poule, para as fotos da buldogue inglês para a Revista.ag.

“Pet wear”

Roupa para cachorro é um tema que divide opiniões. Tem quem ache uma graça. Tem quem não ache a menor graça. Mas o fato é que o chamado “pet wear” é um segmento em ampla expansão. Etiquetas cobiçadas mundo afora, como Louis Vuitton e Goyard, investem cada vez mais em produtos para os bichinhos de estimação. Novidade por aqui, a marca carioca Reserva se uniu à Zee.Dog, grife de acessórios caninos descolados, para desenvolver uma linha de coleiras, gravatas e roupinhas para clientes de quatro patas. A coleção estrelada por camisetas com frases inspiradas, como “Hot Dog” e “In humans we trust”, chega às lojas em meados de novembro.

Em paralelo, nos últimos tempos começou a pipocar uma série de novas marcas de roupas exclusivamente caninas de Norte a Sul do país, que, vale lembrar, já tem mais cachorros do que crianças - segundo pesquisa do IBGE divulgada ano passado, 44% dos domicílios têm cães, o equivalente a 52 milhões de animais; crianças são 45 milhões.

Moletons, casacos de tricô e camisas polo estão em alta no "pata-à-porter". As peças básicas, que chegam a custar R$ 300, incrementam o já lucrativo mercado pet. Até o fim do ano, o setor deve atingir um faturamento de R$ 19,2 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o que seria um crescimento de 6,7% em comparação ao ano passado. O Brasil é o terceiro maior mercado pet do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido.

Peças com conforto

Monizze Mendes posa com Sofia, que usa moletom rosa com uma coleira de pérola.
Monizze Mendes posa com Sofia, que usa moletom rosa com uma coleira de pérola.
Foto: Edson Chagas

Os cinco cachorros - quatro maltês e um sem raça definida - da estudante de medicina veterinária, Monizze Mendes, de 21 anos, também não vivem sem roupas. “Há três anos, quando ganhei minha primeira cachorrinha, a Sofia, eu me apaixonei pelo mundo pet. Pelo fato de ela ter pouco pelo, sentia frio ao dormir comigo no ar condicionado, então comecei a comprar roupinha. Desde então tenho uma paixão pela moda pet”, conta.

No guarda-roupa estão desde vestidinhos leves a blusas de frio, pijamas, capa de chuva e fantasias para o carnaval. “Pra mim, o importante é garantir que o cachorro se sinta confortável. Se algum dos meus cachorros ficar incomodado com alguma roupinha, eu tiro”.

Monizze, que costuma levar seus cachorros para passear no shopping ou no calçadão, anda sonhando com uma peça-desejo para os bichinhos. “Estou namorando um macacão da Louis Vuitton que eu achei em um pet shop em Porto Alegre”.

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