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Mulheres respondem: quais assuntos deveriam estar em pauta nas discussões?

Perguntamos a cinco mulheres de diferentes áreas que assunto elas gostariam de ver em discussão no dia delas

Bebel Lobos, 41 anos, Administradora
Bebel Lobos, 41 anos, Administradora
Foto: Acervo pessoal

A falta de tolerância

“Só de termos que levantar uma pauta em prol da mulher, já vemos

o quanto precisamos evoluir. O que mais me incomoda não só

contra a mulher, mastambém com as pessoas em geral, é a

agressividade que temos visto. Seja ela física, verbal ou até virtual.

Uma onda de intolerância na qual o respeito é algo que parece ter

sido esquecido ou deixado de lado. Todosse acham donos da

‘verdade’. Então, a bandeira que levanto hoje é a do respeito para

com o próximo. Vamos viver a paz, porfavor!”

 

 

Bárbara Verzola, 43 anos, empresária-cozinheira

Como equilibrar?

“A mulher lutou muito por um pedaço no mercado do trabalho. De

repente ela começa a querer buscar um equilíbrio entre a profissão,

os cuidados com o filho e as preocupações com a casa. Acho que

uma boa pauta seria dar dicas de como buscar esse equilíbrio.

Como se desdobrar para dar conta de tudo – porque ela se desdobra

realmente entre esse papel de mãe, profissional, mulher, dona de

casa... Como buscar esse equilíbrio de uma forma saudável e

encontrar a felicidade nesse caminho.”

 

 

Angelita Corrêa Scardua, 50 anos, Psicóloga especializada em felicidade e em desenvolvimento adulto. Mestre e doutoranda pela Universidade de São Paulo.

A vida de quem cuida da nossa vida

“Bom, eu penso que o que deveria ser pautado no Dia da Mulher é um mergulho na

vida daquelas que cuidam da nossa intimidade. O que eu quero dizer com isso? Falo

das mulheres que entram em nossas casas para limpá-las, para cuidar de nossas

crianças, de nossosidosos, para lavar nossa roupa e cozinhar nossa comida. Falo das

mulheres que acordam às 4 ou 5h da manhã para pegar um ônibus e estar em nossas

casas quando acordamos, com o objetivo de nos ajudar a ter uma vida cotidiana

minimamente organizada. Falo sobre essas mulheres que, com o trabalho delas,

contribuem para que mulheres como eu possam ter uma carreira fora do lar. Falo

sobre as empregadas, babás, cuidadoras, diaristas, que fazem a vida doméstica dos

outros andar. Raramente essas mulheressão lembradas. A vida delas não tem o

glamour que costumamos procurar nas manchetessobre as conquistasfemininas,

mas elassão fundamentais para que essas conquistasse realizem. Quando falo que

essas mulheres cuidam da nossa intimidade, é porque elas, mais do que ninguém,

conhecem nossa rotina, nossos gostos e desgostos, nossas derrotas e vitórias. Elas

cuidam da nossa intimidade porque elas cuidam do alimento que nutre nosso corpo,

dasroupas que o veste, do espaço que ele habita. Elas, principalmente, cuidam da

nossa casa e das pessoas que amamos que nela vivem.”

 

 

Franciele Vieira de Freitas, 26 anos, Integrante da banda Melanina MCs

A violência contra a mulher

“A pauta envolve a violência contra a mulher e o assédio nasruas que a gente passa

todos os dias. Vivemos em uma sociedade totalmente machista e vemos diariamente

mulheressofrerem abuso físico e moral. E o pior: vendo como a sociedade trata isso

de uma forma natural. É bizarro. O Espírito Santo é um dos Estados onde se matam

mais mulheres por conta de violência doméstica. Temos que mudar esse quadro e

olhar para as nossas mulheres com maisrespeito! O assédio nasruas é constante.

Somos vistas como objeto sexual. Isso incomoda demais, é ofensivo. Não dá pra andar

na rua com vários caraste olhando, piscando, te desejando fisicamente. A sensação é

de ser estuprada em plena luz do dia. É constrangedor!”

 

 

Déborah Sabará, 38 anos, presidente da Gold e vice-presidente do conselho estadual de direitos humanos do Espírito Santo

Os assassinatos de travestis

 

 

“O fim dos assassinatos de travestis e transexuais no Brasil. De acordo com a

Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 179 transforam assassinados

em 2017. E já são 21 só este ano. A pauta poderia trabalhartodos os estigmas que

existem na sociedade brasileira, nas áreasfamiliar, educacional e social. Precisamos

criar meios de manter a permanência – e aceitação – dessa população.”

 

 

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