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Melanina Mcs: "seguimos derrubando muros e chutando portas"

As 4 integrantes do grupo falam sobre a trajetória e o empoderamento de mulheres

Durante esses anos de trajetória do grupo a música se tornou para elas símbolo de desconstrução de padrões, e instrumento de voz das minorias.
Durante esses anos de trajetória do grupo a música se tornou para elas símbolo de desconstrução de padrões, e instrumento de voz das minorias.
Foto: Reprodução/ Instagram @melaninamcs

Afari, Mary Jane, Geeh e Lola, esses são os nomes das integrantes do grupo capixaba de RAP Melanina MC´s, que já atua na cena da música há 6 anos, e acumulam um EP (lançado em 2016), um disco, e um single (ambos lançados em 2018). O sucesso das meninas vem de canções que falam de empoderamento, e das vivências da mulher negra periférica na sociedade.

Conversamos com as integrantes, que contaram sobre a trajetória do grupo e o que querem passar para o público, sendo um grupo formado por 4 mulheres que se propõe a empoderar mulheres e contar histórias que, muitas vezes, não são ouvidas pela sociedade.

O grupo surgiu a partir de ideia de Mary Jane, que conhecia Lola e Geeh (que já atuava em carreira solo no estado), a partir daí, Lola e Mary Jane levaram a proposta de criar um grupo feminino de rap a Geeh, que abraçou a ideia. E assim, em meados de 2013, surgiu o Melanina Mc´s.

“A ideia de criar um grupo veio pela conexão entre nossas ideologias e os lugares em que fomos criadas, e também por ser um gênero que abre espaço para a discussão de diversos assuntos que geralmente não são falados, nem ouvidos num contexto geral, principalmente sendo mulher negra e periférica”, contou Afari.

A inspiração das meninas para compor e seguir na carreira também vem de mulheres, que segundo Geeh, alimentam o mesmo gênero musical e levantam as mesmas bandeiras do grupo. “Nos inspiramos em nomes como Negra Li, Camila CDD, Drik Barbosa e Karol Conka, por exemplo. Além da galera aqui do estado, como o grupo Solveris, a Budah, as meninas do Preta Roots e Larissa Delsanto. São todas ótimas referências”, afirmou.

Durante esses anos de trajetória do grupo a música se tornou para elas símbolo de desconstrução de padrões, e instrumento de voz das minorias. “Nesses quase 7 anos de história desconstruímos muito nossa forma machista de pensar, ver e ser mulher. E também acabamos criando laços com pessoas incríveis, tendo oportunidades únicas e levantando um discurso que fala por toda uma classe de minorias que geralmente não tem voz perante a sociedade”, esclareceu Geeh.

Mary Jane, precursora do grupo, relata que o trabalho desenvolvido hoje por elas é em prol de empoderar outras mulheres, e afirma que mesmo com essa representatividade o machismo ainda é uma realidade na cena do rap atual. “Podemos dizer com orgulho que somos muito bem representadas no Brasil e no mundo, mas ainda nos falta espaço, respeito, igualdade e atenção a causas que levam nossas vidas todos os dias e acabam não sendo levadas em consideração”, relatou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ela ainda declara que as histórias e vivências de todas as integrantes são contadas através das letras das músicas, e hoje o público do grupo já espera por isso. “Nossa história precisa ser retratada, pois quem só assiste, não sente nem sabe da metade do que passamos pra conquistar coisas que pra outros são tão fáceis. Contar a história de quem somos, da nossa classe e raça é só o que nos traz retorno positivo, tendo em vista que buscamos ser o mais transparente possível, a fim de relatar nossa evolução de acordo com o que vivemos”, disse Mary.

Sobre o Dia Internacional da Mulher, Lola esclareceu que o grupo enxerga a data como um momento de reflexão, aprendizado, valorização, e acima de tudo, um dia para ouvir histórias que precisam ser contadas. “É um dia entre outros 365 em que podemos nos dedicar a pensar um pouco mais na mulher com a sensibilidade que merecemos. E em como nós tratamos, o que nos impõem, nos cobram e sugam da gente”, afirmou a integrante.

Lola ainda revelou que o próximo lançamento do Melanina Mc´s gira em torno de uma homenagem ao mês da mulher. E levando isso como tema, a Revista.AG perguntou ao grupo qual a menagem que elas desejam passar para outras mulheres: “Que elas continuem buscando o próprio progresso, sem colocar um homem a sua frente. E também que se empoderem dia após dia, em seus direitos e lugar de fala, que pensem sempre em si, em primeiro lugar, depois no que agrada aos outros. Nossa saúde, nossas vidas, nossas histórias valem muito mais”, respondeu Lola. “ Os paradigmas que ainda existem, estão aí para serem quebrados, por isso seguimos derrubando muros e chutando portas”, complementou a integrante, sobre o trabalho de vida do grupo.

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