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"Não existe felicidade na mentira, pois uma pessoa não é objeto"

Muitas pessoas têm semelhantes comportamentos e fazem as mesmas escolhas, e não é porque são pessoas ruins, é que nossa doença coletiva torna tudo uma mercadoria que nos leva à suposta "felicidade".

"Não existe felicidade na mentira", garante sexólogo
"Não existe felicidade na mentira", garante sexólogo
Foto: Unsplash

PERGUNTA: TIAGO, 43 ANOS

“Tenho traído minha esposa regularmente com garotas de programa. São muitos anos de casamento, e nunca havia feito isso até a vida sexual desaparecer da nossa rotina. Não me sinto culpado, pelo contrário. Não há envolvimento emocional, não há compromisso e muito menos sentimento. Será que eu estou errado? O que você pensa dessa situação? Estou feliz com isso tudo.”

Uma felicidade que suscita um estado de dúvida poderia ser chamada de felicidade? Os nossos tempos são tempos em que “felicidade” quer dizer muita coisa e frisar nossa felicidade sempre torna-se uma excelente desculpa para nossos erros, porque o que importa é “ser feliz”, não é mesmo?! Não posso te dizer, caro leitor, o que deva ser sua felicidade ou definir seu parâmetro moral sobre o certo ou o errado. Sua vida e suas escolhas são, irrevogavelmente suas, e não está sob minha possibilidade de análise ser o juiz da sua alma. Tudo o que posso fazer é te ajudar a enxergar o que está acontecendo pelo prisma da empatia, o da realidade.

Por que a vida sexual acabou no seu casamento, ou, como disse, “desapareceu”? Como a decisão pela garota de programa se deu? Foi acordado entre você e sua esposa? Algo do tipo: “Podemos ter uma relação aberta, querido marido. Pobre de você agora que não fazemos mais sexo! Só não se envolva, procure garotas de programa”. Se não foi isso o que aconteceu, é preciso enxergar o que está acontecendo de outra forma para saber se realmente está agindo corretamente e qual a necessidade da culpa.

Eu acredito sinceramente que você não se sente culpado, e não é nenhuma surpresa. A compreensão da ausência de culpa é simples, não há empatia em você, nem por sua esposa ou pelas garotas de programa. Ambas são objetificadas e quando um objeto fica obsoleto, nós substituímos por outro que cumpra a mesma função, e se puder trocar sempre, melhor ainda!

Uma pessoa não é um objeto. Com sinceridade, caro leitor, muitos homens têm semelhantes comportamentos e fazem as mesmas escolhas, e não é porque são pessoas ruins, é que nossa doença coletiva torna tudo uma mercadoria que nos leva à suposta “felicidade”. Te sugiro fazer um experimento e, se o fizer, com alegria de espírito, não cultive nenhuma culpa, porque não haverá motivos para ela. Como há a possibilidade do “será que estou errado?”, o primeiro passo é decidir se deve contar a sua esposa o que acontece. Se acha de fato que está certo, não será um problema contar.

Explique que tudo advém da falta de sexo dentro da relação e que não há problema, são apenas garotas de programa. Então você irá motivá-la a resolver o problema sexual também, porque ela também não tem mais vida sexual, e mesmo sem nunca ter conversado sobre para tomar sua decisão unilateral, talvez descubra que também faça falta na vida dela. Mas nesse momento vem a melhor parte, lembre-se da sua felicidade e proporcione a mesma para ela: pague um garoto de programa para ela sob o mesmo critério de atributos que você faz sua escolha, sabe, um rapaz novo, bonito, bem dotado, e a previna que só é errado se houver envolvimento.

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E então, meu amigo, disposto ao experimento? Meio complicado, não é? Sua esposa provavelmente não vai aceitar. Talvez ela consideraria uma grande humilhação para você que ela experimentasse o que você, nem se quisesse, poderia oferecer, como esse jovem. Se coloque no lugar dela por um segundo ou assuma seu desejo como um homem adulto e encerre sua relação, já que sua felicidade está noutro lugar. Se não for por consideração a sua esposa, seja responsável diante de todos os anos que construíram juntos uma família. A decisão é sua, mas o casamento são vocês dois. Não assuma a responsabilidade do outro, justificando o seu desejo por não ter vantagens em assumir a sua própria responsabilidade. Você não é obrigado a viver um casamento infeliz, mas é responsável por sair dele. Entretanto, tudo o que você escolhe ser é covarde, e não existe felicidade na mentira, simplesmente porque a mentira não é realidade.

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