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"O mercado possui chupetas eletrônicas, que hipnotizam bebês e pais"

Em relação à infância, é necessário evitarmos a exposição às tecnologias em quantidade e qualidade

"O mercado possui chupetas eletrônicas", afirma psicóloga
"O mercado possui chupetas eletrônicas", afirma psicóloga
Foto: Unsplash

"Sou mãe de uma criança de 18 meses, e utilizo o telefone celular para distraí-la. Ouvi dizer que prejudica o desenvolvimento do bebê. É isso mesmo?"

Já ouviu falar que o remédio em excesso se torna veneno? Em tudo na nossa vida é assim. Inclusive com a tecnologia. Particularmente, acho a tecnologia ótima. Encurta distâncias, nos faz ter acesso a informações que outrora não teriam a mesma forma de divulgação e agilidade. Mas com relação à infância, é necessário evitarmos a exposição em quantidade e qualidade. Se atentarmos para sua pergunta, a palavra “distraí-lo” é a que ecoa, é a que mais salta. Penso que quando uma mãe utiliza do celular ou de qualquer outra tela, é porque ela já não tem mais artifícios. Já utilizou todos os recursos.

Cuidar de uma criança não é tarefa simples. Enganam-se aqueles que acham que é. E principalmente enganam-se aqueles que acham que as mulheres são naturalmente capazes, pelo fato de serem mulheres, de se ocupar indefinidamente das crianças. Dito isso, quero ampliar nossa discussão para a necessidade que todos temos de ocupar o bebê. Estar sempre promovendo “distrações” ao pequeno reizinho.

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Uma coisa é acolher as necessidades do bebê, já falamos sobre isso nessa coluna inúmeras vezes. Cuidar de sua higiene, organizar sua rotina, nutrí-lo, fazê-lo sentir-se pertencente e considerado na família. Outra coisa é uma tendência atual a empanturrar o bebê com imagens, cores, sons, mantendo-o distraído e, com isso, quieto. Dados recentes da OMS determinaram que até o primeiro ano de vida, os bebês não devem ter acesso às telas, e a partir dos dois anos podem acessar por somente 1 hora por dia.

Porém, o que vemos são bebês absorvidos pela comunicação unilateral e passiva que recebem das telas, vão se abandonando da interação com outro ser humano. A função de todo papai e mamãe não é apenas garantir a existência orgânica da criança (um corpo saudável), mas principalmente garantir que o bebê esteja vivo emocionalmente e isso não é possível se não houver interação humana. Sim, sim e sim, garantir a vivacidade emocional de um bebê dá trabalho! Ele chama, demanda, quer subir, quer descer, quer colo, fica insatisfeito quando não fazemos o que ele quer. Exaure!

O mercado está repleto de incríveis chupetas eletrônicas, que hipnotizam os bebês e também os pais. Quem nunca se viu absorto a um desenho infantil sem ter se dado conta do que via, que atire a primeira pedra (as mães sabem bem o que digo).

Infelizmente os pais e mães estão completamente sobrecarregados pelas mais variadas demandas sociais (trabalho, família, tecnologia – sim, também mamamos dessa teta) e a conta não fecha. Não dá para atender a todos os senhores e não conseguimos abrir mão daquilo que já conquistamos. Cuidar de um bebê muito pequeno nos traz à luz essas questões, afinal não dá para dividi-lo ao meio, como propôs Salomão. Bebê bom é bebê inteiro. Então, que façamos uma escolha, mais interrelação e menos telas!

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