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Você sabe inserir uma obra de arte na decoração?

A obra de arte cria identidade no espaço, pois o caracteriza com as particularidades de quem circula por ali. Veja as dicas dos especialistas

A decoração dos espaços como algo único, e que traduza sua singularidade pode ser alcançada com o protagonismo das obras de arte inseridas nele, já que elas trazem ao ambiente identidade, autenticidade e reflexões que podem até mesmo aguçar o senso crítico de quem está envolvido com aquele local.

Espaço Casa Cor 2004, joalheria.
Espaço Casa Cor 2004, joalheria.
Foto: Tatiana Campagnaro

A arquiteta e designer de interiores Fernanda Julião explica que a obra de arte cria identidade no espaço, pois o caracteriza com as particularidades de quem circula ou vive ali. “Podemos aguçar, provocar e estimular o prazer e a fruição com a inserção dessas peças nos ambientes, tanto no designer de interiores quanto na arquitetura”, esclarece ela.

Para inserir peças em ambientes já decorados, Fernanda indica atentar-se as proporções, composições e a estética do local. “O mais indicado é procurar um profissional que tenha sensibilidade e olhar crítico para fazer a análise do ambiente, e assim ajudar na escolha da obra”, explica a arquiteta, acrescentando que as peças também podem ser colocadas em ambientes comerciais.

A obra de arte não precisa ser necessariamente óleo sobre tela
A obra de arte não precisa ser necessariamente óleo sobre tela
Foto: Fernanda Julião

É possível até que um projeto arquitetônico comece a ser feito a partir de uma obra de arte, que um ambiente seja todo planejado de acordo com uma peça. “A obra de arte pode ser usada como parte do processo criativo para o desenvolvimento daquele local”,

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complementa Fernanda Julião.

Sobre o posicionamento, ela destaca que as peças devem ser colocadas de forma equilibrada, podendo assim ser simétricas ou assimétricas, com iluminação adequada, e em uma superfície preparada para recebê-las. “Uma obra tem o poder de valorizar tudo no ambiente, desde revestimentos até os móveis”, esclarece. “Nos meus projetos, a importância da obra de arte é sobretudo a criação de uma personalidade e identidades singulares”, finaliza Fernanda.

Projeto de Fontoura e Grasseli Arquitetura para Casa Cor
Projeto de Fontoura e Grasseli Arquitetura para Casa Cor
Foto: Divulgação

A arquiteta e galerista Lara Brotas, da Matias Brotas arte contemporânea, afirma que outra forma de valorizar a obra de arte na decoração é apostar em diferentes tipos de suporte, ou seja, mais de um tipo de arte. “É interessante trabalhar no projeto de arquitetura a diversidade dos suportes, como fotografia, vidro, escultura, e entre outros, pois isso aguça o olhar e traz pontos de curiosidade no projeto”, analisa Lara

Sobre a iluminação, vale ressaltar que é preciso ficar atento ao seu índice de reprodução cromática (IRC) e a sua temperatura. “A iluminação com o maior IRC é a mais indicada, pois garante a reprodução fiel das cores e tudo naquela obra, e a temperatura, se muito alta, pode danificar a peça”, explica a galerista.

Ela também chama a atenção para a manutenção das obras, e diz que cada uma delas tem suas particularidades, sendo necessário um tipo de cuidado diferente.

ARTE COMO MOTIVO DE REFLEXÃO

Lara Brotas também esclarece que hoje as pessoas cada vez mais adquirem arte com intuito de se aproximar do pensamento contemporâneo ali implícito. “É um descolamento, de modo geral as pessoas não buscam mais a obra como um adorno, mas como um outro olhar para a produção contemporânea”, reflete Lara.

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ARTE E ARQUITETURA 

De acordo com o artista plástico e professor Attílio Colnago, a arte sempre esteve conjugada com a arquitetura, pois antigamente sempre se pensava o trabalho arquitetônico comungado ao seu valor artístico. “Pode-se exemplificar isso pelos centros culturais, e também olhar para os trabalhos de artistas, desde Aleijadinho, até Portinari, trabalhando junto com Niemeyer”, exemplifica o artista. “É um projeto que cresce e nasce junto, e se tiver essa oportunidade de integração entre arquitetura e arte, aí que a obra terá mais presença”, complementa.

Para ele, uma obra vai além da beleza: “A peça muda a vibração do ambiente”, salienta. Ele também define que o que caracteriza uma peça com esse carácter não é o seu alto valor, mas sim a unicidade e capacidade de ser um elemento único. “A obra de arte também vai sempre estar em consonância com seu tempo, já que traz uma discussão contemporânea inserida no tempo que é realizada, afirma Attílio.

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