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Descubra os vinhos que fazem jus ao "quanto mais velho, melhor"!

Luiz Cola te indica os rótulos que mais levam em contam essa premissa

Será que os vinhos mais velhos são mesmo os melhores? descubra com Luiz Cola
Será que os vinhos mais velhos são mesmo os melhores? descubra com Luiz Cola
Foto: Unsplash

É incrível observar como a máxima que diz “vinho, quanto mais velho, melhor!” ainda é difundida e arraigada na mente das pessoas, mesmo entre aquelas que sequer apreciam esse nobre fermentado de uvas. Infelizmente, na maioria das vezes, esse ditado popular não condiz com a realidade quando um vinho “velho” é levado à taça.

Frequentemente recebo mensagens com pedidos de avaliação de garrafas de vinho, das mais diversas origens, de pessoas que as encontraram na casa de parentes ou ganharam de presente de algum amigo. Como seria de se esperar, em 99% desses casos, tenho de dar a “triste” notícia: elas não valem nada (comercialmente falando) e já devem estar decrépitas!

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A questão da “evolução” dos vinhos envolvem inúmeros aspectos técnicos que não cabem ser discutidos aqui. Em linhas gerais, essa crença de que a guarda prolongada melhorava os vinhos perdurou até hoje em função das técnicas enológicas praticadas antigamente, que tornavam os vinhos um tanto rústicos e difíceis de beber nos primeiros anos de vida. Eles necessitavam de um bom tempo nas garrafas para amansar seus taninos (no caso dos tintos) e afinar seu paladar.

O conhecimento e os avanços tecnológicos dos últimos 50 anos nos processos de vinificação mudaram drasticamente esse cenário. Atualmente, a imensa maioria dos vinhos produzidos no mundo já está apta para ser consumida quando chega ao mercado, ainda que muitos deles possam melhorar um pouco com algum tempo de guarda.

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Por outro lado, dentro da máxima apresentada no início do texto, existe um importante fundo de verdade. Realmente existe uma pequena parcela de vinhos produzidos ao redor do mundo que melhora, e muito, com o passar dos anos nas garrafas. São vinhos que evoluem muito lentamente, atingindo seu apogeu em termos de aromas e sabores entre 15 e 50 anos de vida, podendo preservar essas complexas características por muitos anos mais. 

Não por acaso, esse seleto grupo de vinhos longevos engloba alguns dos rótulos mais caros, raros e famosos do mundo. As regiões vinícolas clássicas da França (Bordeaux, Borgonha, Rhône e Champagne), Itália (Piemonte, Toscana e Veneto) e Espanha (Rioja e Ribera del Duero) concentram boa parte desses vinhos que, ao longo de décadas (ou séculos) construíram sua reputação de qualidade, longevidade e complexidade, tornando-os objeto de desejo para enófilos ou endinheirados em todo o mundo.

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Apesar de muitos desses vinhos estarem realmente fora do alcance financeiro da maioria dos consumidores, é possível beber alguns deles sem causar grandes estragos em nosso orçamento, especialmente se os partilharmos em grupo, como é habitual em confrarias ou eventos de degustação.

VALE A PENA ENVELHECER 

Descubra alguns vinhos que fazem jus ao “quanto mais velho, melhor”!

França: Bordeaux (Crus Classés do Médoc, Saint-Emilion, Pomerol ou doces de Sauternes), Borgonha (Tintos e Brancos Premier Crus e Grand Crus da Côte d’Or), Rhône (Hermitages, Côte-Roties e Châteauneufs du Pape) e Champagnes safrados (millésimes).

Itália: Piemonte (Barolos e Barbarescos), Toscana (Brunellos di Montalcino e Supertoscanos) e Veneto (Amarones).

Espanha: Rioja (Gran Reservas), Ribera del Duero (Gran Reservas) e Jerez (Amontillado, Palo Cortado e PX).

Portugal: Douro (Vinhos do Porto Vintage, Tawny com indicação de idade e Colheitas) e Madeira (Malmsey, Boal, Verdelho e Sercial).

Alemanha: Vale do Rio Reno (Rieslings doces dos tipos Spätlese, Auslese, Beereauslese, Trockenbeerenauslese ou Eiswein).

Hungria: Tokaji (doces 5, 6 Puttonyos e Eszencia)

Austrália: grandes Shiraz e Cabernet Sauvignon de South Australia como o Penfolds Grange.

Estados Unidos: Califórnia (tintos baseados na CS como o Opus One, Insignia ou Screaming Eagle).

América do Sul: Argentina (tintos como o López Montchenot, Cavas de Weinert ou Nicolas Catena) e Chile (cabernets do Vale del Maipo como Santa Rita Casa Real, Don Melchor ou Almaviva, além de outros tintos como o Seña ou Viñedo Chadwick).

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