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Designers de joias fazem peças que simbolizam a fé e são sucesso no ES

O capixaba tem orgulho da sua religiosidade, por isso joalheiros investem em criações que viram verdadeiros amuletos, usados como símbolo de proteção e até homenagem

A fé e a religiosidade são temas que já estão no coração, nos costumes, festividades e até mesmo no calendário dos capixabas. E quando se trata de joias, não é diferente, já que muitas peças viram verdadeiros amuletos, usados como símbolo de proteção, agradecimento e homenagem.

A designer Emar Batalha começou a carreia compondo peças religiosas
A designer Emar Batalha começou a carreia compondo peças religiosas
Foto: Cloves Louzada

A designer de joias Emar Batalha começou a carreira confeccionando peças religiosas. Ela lembra que há 20 anos criou um escapulário que foi um grande sucesso de vendas e, por isso, nunca deixou de investir nesse segmento. “A joia tem sempre um valor de mercado que não se perde com o tempo. Pode ser transformada, deixada de herança e ainda ficar como símbolo de uma geração. E especialmente as peças religiosas são relacionadas a uma espiritualidade, uma crença que conduz praticamente toda família, é algo que não segue a moda”, avalia Emar.

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Pulseira Nossa Senhora das Graças em ouro amarelo 18k com pérolas de Emar Batalha
Pulseira Nossa Senhora das Graças em ouro amarelo 18k com pérolas de Emar Batalha
Foto: Divulgação

Ela, que foi batizada na Igreja Católica e até aulas de catecismo, se tornou evangélica depois dos 30 anos. Ela acredita que a religião é uma escolha pessoal, mas a fé e a espiritualidade são sentimentos universais. Dentro de suas criações, sua peça preferida é um colar, chamado de penca, composto por diferentes pingentes - entre eles uma figa e uma pimenta que representam proteção. “Pra mim, essas peças não têm tanto significado, são adornos, ou seja, servem para enfeitar. Mas sei que para muitas pessoas são consideradas elementos de proteção, e funcionam como verdadeiros talismãs”, complementa.

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Hoje, Emar tem procurado usar peças exóticas em suas composições, mas sem deixar de lado suas essências. “Na última coleção, usei uma turquesa verde vinda do Alasca, um quartzo leopardo vindo da Bahia e um quartzo digital. Também fiz um escapulário em que usei cerâmica. E estou fazendo uma coleção de madeira toda esculpida à mão, que será lançada no final do ano”, conta. E complementa: “acredito que o designer de qualquer segmento precisa estar atento às tendências, aberto a conhecer e usar novos materiais, mas sem perder seu DNA”.

 

 

A designer de joias Tamárcia vittoraci
A designer de joias Tamárcia vittoraci
Foto: Divulgação

A designer de joias Tamárcia Vitoracci também começou a carreira com temas religiosos em suas peças, e lembra que seu primeiro desenho resultou em um crucifixo, que acabou virando a sua primeira joia. “A decisão de criar peças religiosas veio através da demanda. Recebi e ainda recebo muitas referências desse tipo de peças. Ainda não consigo explicação para isso, mas amo esse ofício”, afirma Tamárcia.

Terço feito por Tamárcia Vittoraci para o movimento "Mães que oram pelos filhos"
Terço feito por Tamárcia Vittoraci para o movimento "Mães que oram pelos filhos"
Foto: Divulgação

Entre suas peças especiais, está o terço que fez para o movimento “Mães que oram pelos filhos”. Ela explica que a composição dessa joia foi um desafio, já que – apesar da garra das mães que fazem parte do movimento – todas elas são de estilos muito diferentes. “Quando me escolheram para criar e produzir essa peça, entendi que seria um grande desafio, tinha essa diversidade com agravante. Mas acredito que a peça cumpriu sua missão. Hoje somam seis mil unidades produzidas (lembrando que a comercialização é sempre feita através do movimento)”, comemora a designer.

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A criação da peça deu tão certo que na homenagem ao movimento, que será feita pela Câmara Municipal de Vitória, no Centro de Evangelização Dom Silvestre, em setembro, as mães escolheram a designer Tamárcia para representá-las, justamente por causa do terço que fez.

Apesar das joias geralmente terem um alto valor, por conta de suas unicidades, a designer avalia que - mesmo aquelas pessoas que não compram joias frequentemente - quando o tema é relacionado à religiosidade preferem algo mais valioso. “Ao contrário do que acontecia há décadas - quando as pessoas escondiam terços e medalhas no meio de bíblias e em cantinhos na bolsa - hoje as pessoas querem usar e não tirar do corpo pra nada, daí acontece a procura por uma joia, que é eterna. Os capixabas sentem muito orgulho em demonstrar sua fé”, diz.

JOIAS PARA ESCULTURAS

O joalheiro Oswaldo Moscon
O joalheiro Oswaldo Moscon
Foto: Divulgação

O joalheiro Oswaldo Moscon sempre esteve em contato com a fé no Convento da Penha, muito por causa de seu avô, que realizava consertos no relógio de lá. Hoje, Oswaldo é o responsável pela coroa que está na imagem de Nossa Senhora da Penha, do altar principal.

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Ele conta que, além dessa coroa, que é uma de suas primeiras peças mais importantes, também já realizou alguns trabalhos particulares. “Tem uma senhora, que vai todo ano à Nossa Senhora de Fátima, e é muito religiosa. Ela me pediu para fazer uma coroa para a imagem que ela tem em casa”, conta o joalheiro. “Acredito que as pessoas têm um carinho muito grande a essas peças, que têm valor e são usadas como uma homenagem aos santos”.

Joias em ouro com madrepérola da coleção "Bençãos da penha" de Oswaldo Moscon
Joias em ouro com madrepérola da coleção "Bençãos da penha" de Oswaldo Moscon
Foto: Guilherme Ferrari

DIFERENTES MATERIAIS PARA PEÇAS MAIS ACESSÍVEIS

Entre suas coleções, Oswaldo destaca a chamada de “Bênçãos da Penha”. Nela, ele usou ouro com madrepérola e garantiu, além de modernidade e leveza, mais acessibilidade às peças. “Criei essa coleção e optei pelo ouro e pela madrepérola para deixar as peças mais leves e acessíveis, já que as joias não são feitas exclusivamente de ouro, um material mais valioso. Por conta disso, um pingente que custaria R$ 1.800, sai a R$ 400, por exemplo”.

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