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A força do aço

ArcelorMittal Tubarão conseguiu aumentar a produtividade mesmo durante a crise e hoje é responsável por 12,7% do PIB capixaba

Em período de recessão econômica, em que muitos negócios estão estagnados ou mesmo fecham as portas, uma empresa instalada no Espírito Santo tem conseguido nadar contra a corrente e aumentar a produtividade. Com investimentos na diversificação de sua linha de produção, a ArcelorMittal Tubarão manteve um ritmo de crescimento positivo e hoje representa 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Tal marca foi levantada em estudo apresentado no último dia 20.

Após sete meses de análises, os pesquisadores reuniram uma série de dados sobre a história, a evolução e a contribuição social e econômica da empresa, entre os anos de 1996 e 2016. Enquanto a produção da ArcelorMittal aumentou 96,9% no período, a média da siderurgia nacional evoluiu 23,9%, por exemplo. Os números impactam a economia local como um todo, em termos de desenvolvimento de negócios satélites, com a criação de outras empresas dentro da cadeia produtiva do aço; arrecadação de impostos e geração de emprego e renda – são mais de cinco mil postos e trabalho, apenas em vagas diretas.

Para Gutemberg Hespanha Brasil, doutor em Estatística e professor da Ufes, que participou do estudo, esse crescimento constante se deve ao modelo de negócio da empresa, mais ligado ao mercado internacional, mas também ao refinamento da produção, especialmente a partir de 2002, quando entrou em produção as bobinas a quente, destinadas a diversos segmentos de mercado, em especial para aplicações que demandam maior qualidade superficial, como nas linhas de produção de automóveis e eletrodomésticos.

“A introdução desse equipamento, que agregou mais valor ao produto, representou um grande impacto para a economia do Espírito Santo. E, quanto mais a empresa produz, mais ela compra de fornecedores do Estado, alavancado todo o cenário produtivo”, comenta Gutemberg. 

Foto: ArcelorMittal

O vice-presidente comercial de Aços Planos da ArcelorMittal, Eduardo Zanotti, ressalta que a empresa reavaliou os processos para melhorar a produtividade e eficiência meio à crise. “Atravessamos esse momento difícil do Brasil em capacidade máxima de produção, em parte devido às exportações, que representam dentre 60 e 65% do nosso volume de vendas, mas o país ainda tem um potencial enorme de aumento de consumo per capita de aço”, afirma.

Investimentos

Um dos caminhos para acompanhar o crescimento estimado para o setor, já a partir do ano que vem, é o investimento em educação e inovação. Por isso, a empresa investiu em um centro de pesquisa, dentro da planta industrial de Tubarão, e firmou parceria com instituições como a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes), a Universidade Vila Velha (UVV) e o Sebrae.

“Hoje temos demandas cada vez maiores do mercado por aço de alta resistência. Nosso centro de pesquisa trabalha, por exemplo, com o desenvolvimento de insumos para a indústria automobilística, com o objetivo de melhorar o desempenho e a segurança dos veículos. Nossos engenheiros e cientistas se dedicam a projetos que serão lançados nos próximos anos, discutindo peça a peça diretamente com as montadoras, porque cada item tem uma especificação distinta”, destaca Zanotti.

O desenvolvimento de novas tecnologias promete dar novo impulso à economia do Estado. O secretário de Estado do Desenvolvimento, José Eduardo Faria de Azevedo, destaca os dois vetores de crescimento proporcionados pela atuação da empresa, o local e o internacional.

“A ArcelorMittal está inserida em duas atividades importantes para a indústria, que são a siderúrgica e a portuária, e tem uma forte conexão com o setor metalmecânico, extremamente relevante para o Espírito Santo. Muitos fornecedores de bens e serviços locais se desenvolveram graças às grandes empresas que se instalaram aqui, entre elas a Arcelor”, comenta Azevedo.

Além de Gutemberg Hespanha Brasil e Angela Maria Morandi, que conduziu a pesquisa, assinam o estudo o consultor Sandro Barbiero Allochio, o engenheiro civil Carlos Umberto Felipe e o contador Fábio Santos Grillo.

Outro ponto salientado pela pesquisa são as ações de gestão ambiental. Desde 2014, a ArcelorMittal Tubarão executa um plano de investimentos ambientais no valor de R$ 400 milhões, conforme compromisso assumido com o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema). O maior dos investimentos é na instalação do equipamento chamado de Gas Cleaning Bag Filter, filtros de manga. “A previsão de redução é de até 90% nas emissões de material particulado total da chaminé da sinterização. A tecnologia, que já está em fase de implantação, entra em operação até janeiro de 2018”, diz Zanotti.

Vice-presidente comercial de Aços Planos da ArcelorMittal
Vice-presidente comercial de Aços Planos da ArcelorMittal
Foto: Gabriel Lordello/Mosaico Imagem

“A crise serviu para revermos nossos processos, melhorar a nossa produtividade e eficiência”

Eduardo Zanotti - Vice-presidente comercial de Aços Planos da ArcelorMittal

Secretário estadual de  Desenvolvimento
Secretário estadual de Desenvolvimento
Foto: Vitor Jubini

 

 

“A ArcelorMittal está inserida em atividades importantes, que são a siderúrgica e a portuária”

José Eduardo Faria de Azevedo - Secretário estadual de Desenvolvimento