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Evento promove valorização da mulher em Colatina

Sexta edição do "Mulher, eu valorizo" aconteceu na manhã deste sábado (16)

Todo dia devia ser dia da mulher: dia da mulher ganhar o mesmo salário que os homens em igual função; dia da mulher dividir as tarefas de casa com namorados e maridos; dia da mulher usar a roupa que preferir na rua sem ser assediada; dia da mulher ser reconhecida por sua inteligência em vez só da beleza e sensibilidade. Enquanto elas lutam para atingir esse mundo ideal, o projeto chamado “Mulher, eu valorizo” multiplicou a data e está passando por cinco municípios da região Noroeste do Espírito Santo durante o mês de março.

A primeira parada foi em Nova Venécia (1), seguida de Baixo Guandu (14). No terceiro ponto do mapa de valorização do sexo - nada - frágil, a iniciativa volta à cidade em que teve origem: Colatina. A ação, que vem crescendo desde 2014, espera só neste ano fazer com que mais de sete mil mulheres se sintam especialmente importantes, respeitadas e cuidadas. Contando sempre com patrocinadores locais em cada uma das cidades, a ação também irá passar por Barra de São Francisco (22) e São Gabriel da Palha (31).

Marido ficou com a filha no calçadão, enquanto Alexandra Lamberti se maquiava na tenda do evento
Marido ficou com a filha no calçadão, enquanto Alexandra Lamberti se maquiava na tenda do evento
Foto: Divulgacao

“Merecemos esse reconhecimento por toda a nossa luta diária” 
Alexandra Lamberti, 18 anos, dona de casa

Além da tradicional distribuição de rosas, o evento deste sábado (16) no calçadão de Colatina contou também com maquiadoras profissionais e música ao vivo. Entre 9h e 11h, cerca de três mil mulheres sorriram com as flores, sem pétala alguma ousar dizer “mal me quer”. Dona de casa, mãe e esposa em tempo integral, Alexandra Lamberti contou como foi participar da ação. “Foi ótimo! Fiz tudo que tinha direito! É bom que assim os homens veem como merecemos ser tratadas”, comentou ela, que foi surpreendida pelo projeto em meio às compras rotineiras no centro da cidade.

LUTA, À ESPERA DE RECONHECIMENTO

Consequência de marchas e protestos feministas, o Dia Internacional da Mulher foi oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975 para lembrar de conquistas políticas e sociais alcançadas por elas. O que vai ao encontro do objetivo do projeto realizado pela parceria entre a TV Gazeta Noroeste e a Rádio Litoral. “Esta é uma ação simbólica, justamente, para fortalecer esses direitos conquistados. Nosso papel é conscientizar a população acerca da valorização da mulher. Não só no mercado de trabalho, mas também no ambiente doméstico”, afirmou a gerente comercial Maria Elena Lani. 

Cada vez mais o dia 8 de março vem sendo utilizado para reivindicar igualdade de gênero. Uma das batalhas mais antigas diz respeito ao lugar da mulher no ambiente de trabalho. “Nós enxergamos isso como uma evolução, porque as mulheres já conseguiram quebrar antigos paradigmas e ocupar novos espaços na sociedade. Hoje, elas têm seus lugares e não deixam nada a desejar em relação aos homens, pelo contrário, muitas vezes são até mais responsáveis”, avalia Ricardo Rogae, gerente de marketing da loja Megalar e do Supermercado do Tênis, ambas com público alvo majoritariamente feminino.

As duas rosas recebidas no evento serão plantadas junto com as outras que Oreni Pereira dos Santos já têm em casa
As duas rosas recebidas no evento serão plantadas junto com as outras que Oreni Pereira dos Santos já têm em casa
Foto: Divulgacao

“Estamos ocupando lugares que antes não ocupávamos.O dia em que as mulheres serão valorizadas como merecem vai chegar. Eu tenho fé!”
Oreni Pereira dos Santos, pensionista, 74 anos

Na tentativa de obter tal emancipação, as mulheres, que já representam 51% da população brasileira, são maioria também entre os universitários segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010. Realidade que a coordenadora de pedagogia da UNESC, Jamile Bravin, acompanha diariamente. “Em todas as minhas turmas, a maioria são mulheres; que, por vezes, são mais concentradas e dedicadas do que os homens”, disse. “E mesmo em cursos tradicionalmente masculinos, como engenharia, já está havendo um equilíbrio maior, tanto nas turmas, quanto no corpo docente. Percebemos uma entrada maior das mulheres em todos os campos nos últimos anos”, completou.

MULTITAREFA

Não bastasse as mulheres serem cultural e historicamente responsáveis pelo cuidado do lar e precisarem equilibrar os afazeres domésticos com os profissionais nas últimas décadas, a sociedade ainda costuma exigir que elas estejam sempre impecáveis. É a tal ditadura de beleza, muito mais rigorosa para o sexo feminino, do que para o masculino. 

Para Marcele Francisca Sousa Amaral, as rosas são iguais as mulheres, todas lindas
Para Marcele Francisca Sousa Amaral, as rosas são iguais as mulheres, todas lindas
Foto: Divulgacao

“Quando vi o que estava acontecendo aqui, resolvi ficar. Alguns homens ainda humilham as mulheres ou nos assediam nas ruas. Um evento como esse é importante”
Marcele Francisca Sousa Amaral, 47 anos, faccionista

Em meio a tanta dedicação e exigência, pode ser difícil manter a saúde em dia e ter tempo para cuidar de si mesma. Porém, fazê-lo é essencial. A ginecologista e única diretora da Unimed Noroeste Capixaba, Sandra Helena Pereira deu as dicas para que as mulheres sigam fortes lutando contra a desigualdade. “A base de tudo é uma boa alimentação e exercício físico. Depois, de acordo com a idade, o cuidado passa a ter um foco. Na adolescência, por exemplo, é a anticoncepção. Na menopausa, a mulher tem mais tendência a problemas cardiovasculares e osteoporose. Mas os exames rotineiros que todas têm que fazer é o de câncer de colo de útero e, a partir dos 40 anos, a mamografia”, esclareceu.

INSPIRADA NO PASSADO, MAS OLHANDO EM FRENTE

O direito ao voto, o direito ao trabalho, o direito ao salário. Até mesmo o direito a usar calças. Todos foram conquistados ao longo dos últimos séculos pelas mulheres. Hoje, a luta continua em busca de mais cargos de liderança, de maior liberdade sexual e contra os milhares de casos de violência doméstica. Dentro dessa nova dinâmica, cresce a importância de eventos que reconheçam o valor da mulher dentro da sociedade atual e promovam a valorização delas por todos.

Combinando com a blusa floral, a rosa reflete a delicadeza das mulheres, de acordo com Kailany Morosini
Combinando com a blusa floral, a rosa reflete a delicadeza das mulheres, de acordo com Kailany Morosini
Foto: Divulgacao

“Se eu pudesse dar um presente a todas as mulheres, escolheria o reconhecimento, porque tudo que os homens fazem, nós podemos fazer. Igual ou até melhor”
Kailany Morosini, estudante, 14 anos

A impressão para os organizadores do evento “Mulher, eu valorizo” é de que as mulheres vêm, sim, se empoderando nos últimos anos. Depoimentos das participantes mostraram que há uma maior conscientização de que elas podem, devem e conseguem - o que quiserem. Ao que tudo indica, então, a frase que tem estampado roupas, canecas e cartazes ao redor de todo o mundo pode ser verdade: o futuro é feminino.

 

 

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