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Capixaba, a primeira vereadora do Brasil entrou para a história na Câmara de Muqui

Natural do município de Muqui, ela foi eleita no ano de 1935 a primeira representante feminina em uma câmara municipal

Maria Felizarda de Paiva Monteiro, primeira vereadora do Brasil
Maria Felizarda de Paiva Monteiro, primeira vereadora do Brasil
Foto: Reprodução / Museu Virtual Dr. Dirceu Cardoso

Uma pessoa calma, musical e generosa. É assim que moradores antigos da cidade de Muqui, no sul do Espírito Santo, definem Maria Felizarda de Paiva Monteiro da Silva. Eleita em dezembro de 1935 pelo Partido Social Democrático, (PSD) ela foi a primeira vereadora do Brasil, chegando até a se tornar presidente da Câmara de Vereadores de Muqui.

Carinhosamente chamada de Neném Paiva, ela era professora de música, no Grupo Escolar Marcondes Souza e dava aulas de piano em casa.

A primeira representante feminina em uma câmara municipal, legislou por apenas um ano e meio. Isso porque, na época em que Maria Felizarda foi eleita, o país passava por um período conturbado. No final de 1937, o presidente Getúlio Vargas instaurou o Estado Novo, concentrando o poder ao executivo nacional e abolindo todos os partidos políticos e organizações civis.

Grupo de música da escola Manuel Vicente de Castro
Grupo de música da escola Manuel Vicente de Castro
Foto: Reprodução / Museu Virtual Dr. Dirceu Cardoso

Ela era filha de um importante fazendeiro da região, da época dos Barões do Café, e "Muquy" (como era a grafia da cidade antigamente), era um elo nostálgico entre a capital do estado, Vitória, e o Rio de Janeiro pela Estrada de Ferro Leopoldina.

Quando morou no Rio de Janeiro, Neném Paiva teve que amputar as duas pernas em decorrência da uma má circulação sanguínea. Mesmo com os problemas de saúde, não tirava o sorriso do rosto. Segundo Romanita Aguiar, 71 anos, sobrinha de Neném Paiva, ela era tão comunicativa que ficou amiga do vizinho que mais tarde se tornaria presidente da república, Café Filho.Ele que frequentava sua residência para a ouvir tocar piano.

A sobrinha ainda relata que a tia era muito popular na cidade. "Ela era empreendedora, não uma pessoa doméstica. Sua liderança na cidade estava na música. Adorava receber as pessoas em sua casa. Ela se mudou para o Rio e quando visitava Muqui, era recebida por banda na estação da cidade. Quando ia para minha casa tocava piano e tudo virava um festeiro só. Todos os amigos compareciam", relata Romanita com voz de saudade.

Com a ajuda do historiador Estilaque Ferreira dos Santos encontramos notícias publicadas pelo jornal Diário da Manhã, no qual Maria Felizarda era apresentada como candidata a vereadora, pelo Partido Social Democrático (PSD), em 1935.

Outras publicações de janeiro e setembro de 1936 mostra sua atuação como vereadora de Muqui. Neném Paiva foi recebida pelo governador do Espírito Santo, João Punaro Bley.

Diferente de todo o Brasil, em 1929, uma lei estadual do Rio Grande do Norte tirou a distinção dos candidatos por sexo. Só a partir do do código eleitoral de 1932 a mulher passou a ter o direito ao voto. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, em 3 de maio de 1933, na eleição para assembleia nacional constituinte, uma mulher brasileira votou e foi votada.

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