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O capixaba está deixando de falar "pocar"? O povo responde

Gíria regional do Espírito Santo perde lugar para as novidades de comunicação proporcionada pela internet

O pocar está caindo em desuso. E o que vamos fazer para proteger esse patrimônio capixaba? Não podemos deixar nossa gíria morrer.
O pocar está caindo em desuso. E o que vamos fazer para proteger esse patrimônio capixaba? Não podemos deixar nossa gíria morrer.
Foto: Arte - Marcelo Franco e Arabson

No dicionário, pocar é estourar como pipoca, pipocar, bater com força. No Espírito Santo, o verbo começou a ser usado pela população, no início do século XX, no sentido de espocar, que significa fazer barulho. E, com o tempo, os capixabas criaram um novo sentido para a palavra: arrebentar. Virou a gíria queridinha do Espírito Santo. Patrimônio imaterial, falada incontáveis vezes durante o dia. Porém, com o passar do tempo, parece que os dias de glória estão chegando ao fim. O pocar está caindo em desuso.

Lacrou, pisa menos, ri alto, trollar, shippar. São muitas as gírias novas que surgiram, e o pocar foi perdendo o seu espaço. “O pocar ainda está sendo falado, mas praticamente reduzido a espocar (estourar). Antes era: “o cara pocou na prova”. Hoje, virou “lacrou na prova”, que é bem novinho”, explica o historiador Paulo Vilaça.

Ele diz que a função da gíria regional está sendo roubada pelas novidades na comunicação, proporcionada pela internet. Mas tranquiliza: o pocar não vai ser esquecido.

"O pocar vai permanecer com seu sentido de estourar alguma coisa. No que é mais amplo, no sentido figurado, ele está deixando de ter função. Está perdendo espaço para outras expressões”, afirma Vilaça.

Para tirar a dúvida, fomos às ruas conferir se as gírias antigas estão mesmo caindo no esquecimento, Veja o resultado no vídeo abaixo: 

DE ONDE VEM O POCAR?

“Eu Poco

 Tu Pocas

Ele Poca

Nós Pocamos

Vós Pocais

Eles Pocam”

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O pocar é um gíria regional do Espírito Santo. Sua origem vem da palavra espocar, que significa fazer barulho. Segundo Paulo Vilaça, a gíria começou a ser usada, no início do século XX, quando a ilha de Vitória teve um crescimento na direção dos morros.

“Vitória tem muita pedra, e teve um profissão que agora praticamente não existe, chamada cavouqueiro, que era a pessoa encarregada de dinamitar pedras. Todo mundo precisava fazer isso. Então era uma coisa muito normal em 1910. Tiveram que pocar muitas pedras e contratar muitos cavouqueiros pela cidade. Foi a partir daí que o capixaba passou a falar e novos sentidos a palavra”, explica o historiador.

 

 

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