Diários do Rio Doce


Até mais...

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Edson Chagas

Caro Rio Doce, não gosto de despedidas. Nunca gostei e não será agora que isso vai acontecer. Ao longo deste mês tive a oportunidade de conhecer algumas ações de reparação/compensação dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015. Trabalho realizado pela Fundação Renova. Foram mais de 1000km rodados, 5 municípios visitados e muitas histórias contadas. Deixei para o final uma história de empreendedorismo e superação. Uma boa ideia, não é mesmo?

Confira o último episódio da websérie:

A Vila de Regência, em Linhares, litoral norte capixaba, onde está localizada a foz do Rio Doce, sempre foi conhecida por ter belas ondas. É o paraíso dos surfistas. Sempre um mar perfeito, quebrando ondas alucinantes, internacionais. A economia da vila sempre girou em torno do turismo. Por lá, muita gente investiu em pousadas e albergues para atender a demanda do surfe.

 

Pousada D'Reges Surf House, em Regência, de Fabricio Fiorot - Linhares, ES
Pousada D'Reges Surf House, em Regência, de Fabricio Fiorot - Linhares, ES
Foto: Edson Chagas

Tudo mudou em 2015 com a chegada dos rejeitos, que trouxeram um grande impacto. Sem poder usar a praia, os surfistas sumiram. Muitas pousadas fecharam, mas alguns empreendedores continuaram por lá e conseguiram dar a volta por cima. Graças a uma parceria entre o Sebrae e a Fundação Renova, eles receberam curso de qualificação e remodelaram seus empreendimentos. O que era apenas uma 'estada' para surfistas se transformou num ambiente aconchegante para atrair famílias inteiras interessadas na história do Rio Doce e sua recuperação.

O surfe que havia sido deixado de lado voltou a atrair gente. Não mais na foz do Doce, mas na reserva biológica de Comboios, área, até então, não permitida para a prática do esporte. Com a liberação, restaurantes e pousadas voltaram a ficar movimentadas no vilarejo, para alegria dos empreendedores. Esta é a prova de que a persistência vale a pena e pode trazer bons frutos, mesmo diante de 'tempestades'.

Estou muito feliz com o resultado deste trabalho. Isso não significa o fim. E sim, um até breve. Muita coisa boa ainda está por vir e eu estarei sempre aqui disposto a escrever novas páginas nos "Diários do Rio Doce".

Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


Esperança

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Edson Chagas

Sempre tive admiração por tartarugas marinhas. Um animal belo, gracioso, indefeso e inofensivo. Na minha vida de repórter, gostaria de sempre poder dar boas notícias. Mas nem sempre é assim. Como as tartarugas marinhas estão presentes em todo o nosso litoral, é comum ouvir notícias de tartarugas presas em rede de pesca, engasgada com plástico... E por aí vai... Foi neste período que tive o privilégio de conhecer a fundo o trabalho da Fundação Pró-Tamar.

Confira o nono capítulo da websérie:

 

Só quem tem contato com os biólogos e pesquisadores do projeto tem a dimensão de quanto amor há envolvido. Não somente pelos animais, mas pela causa. Não existe dia, não existe noite... Onde há uma tartaruga marinha desovando no litoral capixaba, há também um biólogo/pesquisador do Tamar junto. Quanta dedicação, quanta paciência com as 'mamães' num momento tão importante quanto a desova.

Foto: Edson Chagas

 

Nosso litoral é berçário para dois tipos de tartarugas considerados raros: a cabeçuda e a de couro. Desde a chegada dos rejeitos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015, à foz do Rio Doce, a equipe da Fundação Pró-Tamar em parceria com a Fundação Renova - criada para reparar os danos causados pelo desastre, coleta dados sobre o ciclo reprodutivo e o comportamento das tartarugas marinhas, numa área de 159km de praia.

Os animais que tiveram contato com o rejeito há quase quatro anos estarão de volta à foz do Doce para mais uma desova. Entre novembro e março, a região fica movimentada e após este período será possível

coletar mais informações sobre o comportamento das tartarugas

. Os biólogos e pesquisadores estão ansiosos para a temporada 2019/2020 de desova. E eu quero estar lá para acompanhar tudo isso de perto. Será minha estreia e nem precisou de um convite formal para ver o trabalho das equipes de perto. Eu mesmo me convidei. Faço questão de ver tartarugas desovando de perto. Vai ser uma experiência única, não acham? É esperar pra ver, caro Rio Doce...

Foto: Edson Chagas

 

Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


Fonte de vida

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Edson Chagas

Formado na junção dos rios Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim, o manguezal de Aracruz, no norte do Espírito Santo, é uma área de preservação permanente, que possui 1.651 hectares. É um paraíso ecológico e navegável em quase toda sua extensão. Tem profundidades que variam entre 2m e 15m e apresenta águas salobras ricas em espécies marinhas e terrestres. O estuário é o maior do Espírito Santo.

Confira o oitavo capítulo da websérie:

 

Além de berçário para muitas espécies, o manguezal de Aracruz, na região de Santa Cruz, é também um laboratório para os pesquisadores da Rede Rio Doce Mar, parceira da Fundação Renova nas ações de reparação dos danos provocados pela barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015.

Foto: Edson Chagas

 

Aqui, eles monitoram os crustáceos (caranguejo e guaiamum) e plantas nativas do manguezal. Para acompanhar o trabalho dos pesquisadores precisei esperar a maré baixar. Era fim de tarde. E lá fomos nós... Em meio à lama, eles contam e medem as tocas onde os crustáceos se escondem. Assim, os pesquisadores conseguem saber a população e o tamanho de cada indivíduo. Olha, só aqui existem muitos... muitos mesmo.

Foto: Edson Chagas


Fiquei mais impressionado ainda com os equipamentos usados por eles. Para saber a vitalidade das plantas os pesquisadores usam uma espécie de Raio-X para saber se elas estão fazendo a fotossíntese corretamente. A cada dia eles percorrerem uma área diferente do manguezal fazendo esse trabalho. Até o fim do ano os primeiros resultados devem sair. Em seguida, os pesquisadores poderão comparar os dados atuais com os coletados anos atrás, já que esse trabalho havia sido realizado e catalogado por outra equipe.

O monitoramento da biodiversidade aquática e marinha do rio Doce envolve cerca de 600 pesquisadores de todo o Brasil. Serão coletadas 43 mil amostras de água, sedimentos, animais e vegetais na bacia do Doce, que inclui o rio, estuários, lagos, praias, costa e mar. Isso sim é cuidar de um rio.


Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


No rio, no mar e em todo o lugar

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Edson Chagas

Qual é o significado da palavra PESQUISA? Bom, para não errar, fui consultar o dicionário. A resposta: Pesquisa - substantivo feminino - conjunto de atividades que têm por finalidade a descoberta de novos conhecimentos no domínio científico, literário, artístico etc. Ah! Tem mais: investigação ou indagação minuciosa. Tudo isso expressa muito bem o trabalho realizado por cerca de 600 profissionais de todo o País que se dedicam nas ações de reparação do Rio Doce após rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015. Uma parceria da Fundação Renova com a Rede Rio Doce Mar.

Confira o sétimo capítulo da websérie:

 

 

Eles estão presentes em todos os lugares: no rio, estuários, nos lagos, nas praias, na costa e no mar. Cada um com sua especialidade. Tem pesquisador monitorando a água do rio, enquanto outra equipe está de olho na vegetação costeira. Outro grupo monitora a fauna marinha, principalmente, os botos cinza, na foz do rio Doce, em Regência... E por aí vai...

Foto: Edson Chagas

 Serão coletadas 43 mil amostras de água, sedimentos, animais e vegetais na bacia do Doce. Os primeiros resultados devem sair ainda este ano. Tive o privilégio de acompanhar quatro grupos de pesquisa diferentes. Com um bote entramos no Rio Doce, em Linhares. Presenciei o monitoramento da água e a coleta de amostras de vegetação que foram enviadas ao laboratório. É um trabalho minucioso, delicado, que requer muita atenção. Afinal, o que está sendo feito aqui vai servir de base para que outros profissionais continuem a pesquisa lá na frente. Gostei do que vi.

Na Vila de Regência, na foz do rio Doce, as pesquisadoras, sim, são duas mulheres, estão de olho no mar atrás dos botos cinza. Pelo menos uma vez por mês eles vêm ao encontro do rio com o mar. Como estão ameaçados de extinção, o monitoramento é importante para contabilizar a população ao longo da costa. Ah! Alguns até brincam em suas águas, sabia Rio Doce? Na região chamada de estuarina, considerada um berçário para muitas espécies. Bom, mas este é um assunto para nosso próximo encontro, combinado? Até lá!

Foto: Edson Chagas

 

 

Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


Juventude forte

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Edson Chagas

"Unidos venceremos"! Quem nunca ouviu esta frase? E nesta jornada pelo "Diários do Rio Doce" pude perceber o quanto ela é verdadeira. Caro Rio Doce, você não tem ideia do quanto você serve de inspiração para as comunidades ribeirinhas. Não tem mesmo! Vou te dar apenas dois exemplos: o primeiro, vem do Espírito Santo. Maria Ortiz, no distrito de Baunilha, em Colatina, no Noroeste capixaba. É uma comunidade simples, sem muitos atrativos ou recursos para a juventude. Poucas casas se enfileiram às margens da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Mas, cinco jovens se uniram para mudar a realidade dos moradores. Sem ter o que fazer, os meninos e meninas viviam somente 'conectados' ao mundo virtual. Foi aí que cinco deles formaram o 'Unidos do Ortiz' com o intuito de promover uma mudança na comunidade.

Confira o sexto capítulo da websérie:

A primeira ação foi a reforma da escola. Eles pintaram todo o prédio, construíram uma horta e um belo jardim. E não acabou não! O grupo transformou o parquinho das crianças. Ficou lindo. E eles querem mais: o próximo desafio do 'Unidos do Ortiz' é a construção da praça da comunidade num terreno abandonado. Se depender deles, vai ficar demais.

Foto: Edson Chagas

É bonito ver a juventude unida. Cerca de 100 jovens de diversas comunidades capixabas e mineiras fazem parte do projeto "O futuro do Rio Doce somos nós", um convênio entre o Instituto Elos e a Fundação Renova que trabalha com o engajamento de novas lideranças na construção de uma visão de futuro para a bacia do rio Doce.

Foto: Edson Chagas

Outra iniciativa que tem dado resultado é a realizada por meninas em Santo Antônio do Rio Doce, em território mineiro, conhece? Fica na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais. Por lá, não era a conectividade que incomodava a juventude, mas sim um problema ainda mais grave: as drogas. Com pouco policiamento devido a distância dos grandes centros, o grupo 'Ribeirinhos' foi formado e transformou uma creche abandonada num centro de vivência para a comunidade. Ficou tão bonito. Atualmente, o local oferece oficinas e cursos, atividades de lazer e uma horta para a comunidade. Dá gosto ver o envolvimento. Um orgulho! Diante de tudo o que vi não tenho dúvida da força da frase "UNIDOS VENCEREMOS". A prova está aí!

Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


Produtores rurais recebem pela preservação do meio ambiente e ajudam na recuperação do Rio Doce

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Edson Chagas

Marilândia, no noroeste capixaba, é um município do Espírito Santo distante 147 km da capital Vitória. E ele é cortado pelo Rio Doce, sabia? E, se o Rio Doce passa por lá, é claro que eu também tinha que ir para a região. A cultura do café predomina em sua paisagem, sendo a base econômica do município, que possui pouco mais de 12 mil habitantes.

Confira o quinto capítulo da websérie:

Até o início do século XIX, a região não passava de florestas virgens. Em meados do século XX, ocorreu, por lá, um grande fluxo migratório de várias origens, principalmente a italiana, incentivada pelo Governo Imperial, para solucionar o problema gerado pela falta de mão de obra na produção cafeeira. Esses colonizadores abriram as primeiras clareiras e iniciaram o plantio do café. Com isso, as áreas de mata foram diminuindo. E, agora, os produtores rurais se deram conta que, sem floresta, não tem água, não tem bicho, não há vida.

Foto: Edson Chagas

Começava aí um movimento para preservar matas nas propriedades. Afinal, muitas das nascentes da região dão origem a riachos que formam o Rio Doce. Assim, todos ganhariam. Desde que o rio foi atingido pelos rejeitos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015, a Fundação Renova desenvolve ações de reparação e compensação dos danos provocados pelo desastre. Uma delas é o Pagamento por Serviços Ambientais - uma recompensa financeira para aqueles agricultores que preservarem mata nas propriedades rurais.

Foto: Edson Chagas

Até o momento, 270 proprietários estão aptos ao programa. Um deles é Edval Gallini. Ele cedeu três hectares da propriedade para o plantio de espécies da Mata Atlântica e está transformando um pasto numa bela floresta. Pela iniciativa, ele receberá R$ 252,00 por ano por hectare protegido. Ele me contou que o dinheiro é o que menos importa. Ele está preocupado é com o futuro, em manter a propriedade viva para as próximas gerações.

Outros 38 produtores de Marilândia participam também da iniciativa e dá gosto ver o engajamento da sociedade para um bem comum: o futuro do nosso Rio Doce.

Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


Viveiros estão produzindo milhares de mudas para a recuperação de nascentes ao longo do Rio Doce

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Edson Chagas

Olá! Dizem que a felicidade do ser humano só está completa quando ele escreve um livro, tem um filho e planta uma árvore. Bom, posso dizer que estou no caminho certo. Já plantei uma árvore, sabia Rio Doce? E foi pra você. Há alguns anos, durante uma reportagem sobre um programa de reflorestamento elaborado por estudantes do Instituto Federal do Espírito Santo, em Colatina, no noroeste do Espírito Santo, fiz questão de plantar uma espécie nativa da Mata Atlântica no campus, às margens do rio.

Confira o quarto capítulo da websérie:

Uma iniciativa voluntária, inspiradora. E isso me fez tão bem. Tenho certeza que, assim como eu, muitos capixabas gostariam de repetir este gesto. Uma ação da Fundação Renova, criada para reparar e compensar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015, pretende recuperar 40 mil hectares de Área de Preservação Permanente em 10 anos

 

Foto: Edson Chagas

Serão usadas, para isto, milhões de mudas de espécies nativas. Tive o privilégio de conhecer um dos viveiros onde as mudas estão sendo produzidas. Ele fica em Colatina e é um dos quatro existentes no Estado. Por lá, são 117 mil mudas. Você não vai acreditar. Algumas espécies já começam o trabalho de recuperação do ambiente ainda no viveiro. Elas fixam nitrogênio por meio de bactérias que possuem habilidade para induzir a formação de nódulos nas raízes e convertem o nitrogênio atmosférico em formas utilizáveis pela planta hospedeira. Vi de perto este processo. Legal, né?

Foto: Edson Chagas

Esta jornada tem sido um grande aprendizado. Ah! Conheci também uma espécie da Mata Atlântica característica da região do rio Doce. Isso mesmo! É a Peltophorum dubium, mais conhecida como angico canjiquinha. Ela está presente em todo médio e baixo Rio Doce e é marcante porque ela produz flores durante uma boa parte do ano. Além disso, é muito útil para a sobrevivência das abelhas que hoje estão ameaçadas.

Com tanto conhecimento estou quase um especialista. Que bom! A cada episódio, novas e felizes descobertas.

Foto: Edson Chagas

Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


Preservação de Nascentes

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Edson Chagas

Hoje é dia de voltar pra sala de aula. Isso mesmo! Vou aprender uma lição junto com a garotada da escola da comunidade de São João da Barra Seca, interior do município de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. O que essa aula tem de especial? A preservação das nascentes. Isso porque as casas, a igreja, o centro comunitário, tudo é abastecido com água da nascente da propriedade.

Confira o terceiro capítulo da websérie:

 

 

É um verdadeiro tesouro, sabia? Por isso, está protegida, no alto do morro. Pra chegar lá tem que andar, mas isso não desanima não. No final, a recompensa vale a pena. Conheci essa história por meio do Instituto Terra organização fundada pelo casal Lélia e Sebastião Salgado. O instituto é parceiro da Fundação Renova, criada para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015, lembra? Até agora, já foram desembolsados mais de R$ 6 bilhões de reais em ações de reparação.

 

 

A recuperação das nascentes é uma ação fundamental. A proteção favorece a melhoria da qualidade do solo, oferecendo condições suficientes para reter a água das chuvas. Além de cercar a área da nascente para evitar o pisoteamento de animais, são plantadas mudas e oferecida assistência técnica aos produtores rurais. Até 2027, 5 mil nascentes estarão protegidas na Bacia do Rio Doce. Para isso, serão utilizadas mais de 1 milhão de mudas, todas elas de espécies nativas da Mata Atlântica. 450 produtores rurais estão engajados neste trabalho. Sem o produtor não haveria proteção de nascentes. Conheci o seu Ademir Pinotti. A nascente da comunidade de São João da Barra Seca fica dentro da propriedade dele. E ele fez questão de participar do projeto para garantir o abastecimento da comunidade em que vive. É um orgulho. Seu Ademir, quero ser igual ao senhor. Adorei conhecê-lo e contar a sua história aqui na nossa websérie. Ainda não acompanhou? Ela já está disponível aqui no nosso diário. Acesse

Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


Estou de volta, caro Rio Doce!

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Edson Chagas

Muita gente não sabe como você é importante para a nossa "Princesinha do Norte", a cidade de Colatina e seus mais de 120 mil habitantes. O município é o oitavo mais populoso do Espírito Santo. E toda a água que abastece a cidade vem do Rio Doce. Desde muito tempo, suas águas são importantes. Hora de voltar no tempo! O Vale do Rio Doce foi colonizado tardiamente, isso porque os índios que habitavam a região (os botocudos - chamados assim em razão do uso do botoque no lábio inferior ou nos lóbulos da orelhas) temiam que invasores pudessem utilizar o rio para chegar até Minas Gerais e ameaçar as riquezas do período da Mineração. Que história, hein!

Confira o segundo capítulo da websérie:

Hoje, o Rio Doce é importante para o abastecimento das cidades, para a agricultura e também para a indústria. Após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015, 39 milhões de rejeitos atingiram as águas do Doce. A Fundação Renova, criada para conduzir a reparação dos danos causados pelo desastre, ficou responsável pelo monitoramento da qualidade da água dos cursos d'água impactados.

Foto: Edson Chagas

São mais de 90 pontos de monitoramento ao longo do Rio Doce. Conheci duas estações. A primeira no distrito de Itapina, interior de Colatina, no Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). Um equipamento moderno e confiável. É uma sonda, que fica dentro do rio. Ela capta dados como: PH, que é a acidez da água, oxigênio dissolvido, temperatura, condutividade elétrica e turbidez... Desde que os pesquisadores começaram a monitorar a qualidade da água neste ponto, não foi necessário parar a captação da água do Rio Doce pra tratamento e, consequentemente, abastecimento da população.

A outra estação visitada fica na foz do rio, em Regência, litoral de Linhares, no Norte capixaba. Para chegar até ela, pegamos um barco e seguimos rio adentro. A estação fica numa boia, no meio do rio, numa região que a gente chama de estuarina, recebe a água doce e a água salgada. E aqui acompanhei a medição feita pela equipe de monitoramento. O resultado: água própria para o consumo após o tratamento. Todos os dados são enviados para uma central, que recebe as informações e compartilha com os órgãos ambientais do Espírito Santo e de Minas Gerais também.

Eu bebi da água do Rio Doce após o tratamento. Não só eu, mas os moradores de Colatina e os funcionários da Fundação Renova também. Diante do que vi, não há desconfiança. Para ver detalhes deste trabalho, acesse o segundo capítulo da nossa websérie, aqui mesmo, no Gazeta online (www.gazetaonline.com.br/riodoce).

Assinado: Bruno Faustino

 

 

Diários do Rio Doce


Caro Rio Doce, como é bom revê-lo!

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Edson Chagas

Lembro-me bem do nosso último encontro. Era novembro de 2015. Eu estava em cima da ponte bem na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais quando os rejeitos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, chegaram por aqui. Como jornalista, registrei aquele momento.

Confira a websérie:

Quase quatro anos depois, estou de volta à região. Confesso, que a sensação de estar aqui é como voltar ao passado. Mas, ao revê-lo, fico surpreso. O que vejo, hoje, lembra-me muito aquele Rio Doce que sempre via pela janela do trem de passageiros nas muitas viagens entre Cariacica (ES) e Governador Valadares (MG), minha cidade natal.

Agora, tive a oportunidade de ver que essa recuperação tem sido possível graças ao trabalho e envolvimento de muita gente. Um esforço concentrado de quase 7000 pessoas. O total desembolsado ultrapassa os R$ 6 bilhões em ações de reparação e compensação dos danos provocados pelo desastre. Um exemplo dessas iniciativas é o monitoramento da biodiversidade aquática e marinha, realizado pela Fundação Renova - criada para conduzir o processo de reparação - em parceria com mais de 30 instituições de ensino, pesquisa, empresas e ONGs. São cerca de 200 pontos de monitoramento da biodiversidade aquática e marinha na porção capixaba do Rio Doce e da região que vai da sua foz, em Regência, até Guarapari, ao sul, e Porto Seguro, na Bahia (BA), ao norte.

O total desembolsado ultrapassa os R$ 6 bilhões em ações de reparação do Rio Doce e compensação dos danos provocados pelo desastre.
O total desembolsado ultrapassa os R$ 6 bilhões em ações de reparação do Rio Doce e compensação dos danos provocados pelo desastre.
Foto: Edson Chagas

Fui convidado para conhecer este trabalho. Acompanhei parte das atividades dos pesquisadores, visiteis as cidades banhadas pelo rio em terras capixabas. Vi de perto a mobilização de jovens em comunidades ribeirinhas... Ah! Não posso esquecer do engajamento e a preocupação dos produtores rurais com a preservação de toda a bacia. Eles protegem nascentes, plantam florestas... São exemplos para todo o Brasil. Hoje, o Rio Doce é o rio mais monitorado do Brasil. São 92 pontos de acompanhamento da qualidade da água nos cursos d’água impactados em Minas Gerais e no Espírito Santo. (o rio, seus afluentes, lagoas e litoral) Mais de 1 milhão e meio de dados são gerados por ano, informações confiáveis para a recuperação da Bacia do Doce.

Eu vou mostrar isso durante todo este mês numa websérie que preparei aqui para o Gazeta Online. Uma incrível jornada, que os internautas começam a acompanhar a partir de agora. 'Simbora' nesta aventura?

PS: Amanhã conversamos mais, querido Rio Doce!

Assinado: Bruno Faustino