Diários do Rio Doce


Viveiros estão produzindo milhares de mudas para a recuperação de nascentes ao longo do Rio Doce

Por Bruno Faustino

Edson Chagas

Olá! Dizem que a felicidade do ser humano só está completa quando ele escreve um livro, tem um filho e planta uma árvore. Bom, posso dizer que estou no caminho certo. Já plantei uma árvore, sabia Rio Doce? E foi pra você. Há alguns anos, durante uma reportagem sobre um programa de reflorestamento elaborado por estudantes do Instituto Federal do Espírito Santo, em Colatina, no noroeste do Espírito Santo, fiz questão de plantar uma espécie nativa da Mata Atlântica no campus, às margens do rio.

Confira o quarto capítulo da websérie:

 

Uma iniciativa voluntária, inspiradora. E isso me fez tão bem. Tenho certeza que, assim como eu, muitos capixabas gostariam de repetir este gesto. Uma ação da Fundação Renova, criada para reparar e compensar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015, pretende recuperar 40 mil hectares de Área de Preservação Permanente em 10 anos

 

Foto: Edson Chagas

Serão usadas, para isto, milhões de mudas de espécies nativas. Tive o privilégio de conhecer um dos viveiros onde as mudas estão sendo produzidas. Ele fica em Colatina e é um dos quatro existentes no Estado. Por lá, são 117 mil mudas. Você não vai acreditar. Algumas espécies já começam o trabalho de recuperação do ambiente ainda no viveiro. Elas fixam nitrogênio por meio de bactérias que possuem habilidade para induzir a formação de nódulos nas raízes e convertem o nitrogênio atmosférico em formas utilizáveis pela planta hospedeira. Vi de perto este processo. Legal, né?

Foto: Edson Chagas

Esta jornada tem sido um grande aprendizado. Ah! Conheci também uma espécie da Mata Atlântica característica da região do rio Doce. Isso mesmo! É a Peltophorum dubium, mais conhecida como angico canjiquinha. Ela está presente em todo médio e baixo Rio Doce e é marcante porque ela produz flores durante uma boa parte do ano. Além disso, é muito útil para a sobrevivência das abelhas que hoje estão ameaçadas.

Com tanto conhecimento estou quase um especialista. Que bom! A cada episódio, novas e felizes descobertas.

Foto: Edson Chagas

Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


Preservação de Nascentes

Por Bruno Faustino

Edson Chagas

Hoje é dia de voltar pra sala de aula. Isso mesmo! Vou aprender uma lição junto com a garotada da escola da comunidade de São João da Barra Seca, interior do município de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. O que essa aula tem de especial? A preservação das nascentes. Isso porque as casas, a igreja, o centro comunitário, tudo é abastecido com água da nascente da propriedade.

Confira o terceiro capítulo da websérie:

 

 

É um verdadeiro tesouro, sabia? Por isso, está protegida, no alto do morro. Pra chegar lá tem que andar, mas isso não desanima não. No final, a recompensa vale a pena. Conheci essa história por meio do Instituto Terra organização fundada pelo casal Lélia e Sebastião Salgado. O instituto é parceiro da Fundação Renova, criada para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015, lembra? Até agora, já foram desembolsados mais de R$ 6 bilhões de reais em ações de reparação.

 

 

A recuperação das nascentes é uma ação fundamental. A proteção favorece a melhoria da qualidade do solo, oferecendo condições suficientes para reter a água das chuvas. Além de cercar a área da nascente para evitar o pisoteamento de animais, são plantadas mudas e oferecida assistência técnica aos produtores rurais. Até 2027, 5 mil nascentes estarão protegidas na Bacia do Rio Doce. Para isso, serão utilizadas mais de 1 milhão de mudas, todas elas de espécies nativas da Mata Atlântica. 450 produtores rurais estão engajados neste trabalho. Sem o produtor não haveria proteção de nascentes. Conheci o seu Ademir Pinotti. A nascente da comunidade de São João da Barra Seca fica dentro da propriedade dele. E ele fez questão de participar do projeto para garantir o abastecimento da comunidade em que vive. É um orgulho. Seu Ademir, quero ser igual ao senhor. Adorei conhecê-lo e contar a sua história aqui na nossa websérie. Ainda não acompanhou? Ela já está disponível aqui no nosso diário. Acesse

Assinado: Bruno Faustino

Diários do Rio Doce


Estou de volta, caro Rio Doce!

Por Bruno Faustino

Edson Chagas

Muita gente não sabe como você é importante para a nossa "Princesinha do Norte", a cidade de Colatina e seus mais de 120 mil habitantes. O município é o oitavo mais populoso do Espírito Santo. E toda a água que abastece a cidade vem do Rio Doce. Desde muito tempo, suas águas são importantes. Hora de voltar no tempo! O Vale do Rio Doce foi colonizado tardiamente, isso porque os índios que habitavam a região (os botocudos - chamados assim em razão do uso do botoque no lábio inferior ou nos lóbulos da orelhas) temiam que invasores pudessem utilizar o rio para chegar até Minas Gerais e ameaçar as riquezas do período da Mineração. Que história, hein!

Confira o segundo capítulo da websérie:

Hoje, o Rio Doce é importante para o abastecimento das cidades, para a agricultura e também para a indústria. Após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015, 39 milhões de rejeitos atingiram as águas do Doce. A Fundação Renova, criada para conduzir a reparação dos danos causados pelo desastre, ficou responsável pelo monitoramento da qualidade da água dos cursos d'água impactados.

Foto: Edson Chagas

São mais de 90 pontos de monitoramento ao longo do Rio Doce. Conheci duas estações. A primeira no distrito de Itapina, interior de Colatina, no Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). Um equipamento moderno e confiável. É uma sonda, que fica dentro do rio. Ela capta dados como: PH, que é a acidez da água, oxigênio dissolvido, temperatura, condutividade elétrica e turbidez... Desde que os pesquisadores começaram a monitorar a qualidade da água neste ponto, não foi necessário parar a captação da água do Rio Doce pra tratamento e, consequentemente, abastecimento da população.

A outra estação visitada fica na foz do rio, em Regência, litoral de Linhares, no Norte capixaba. Para chegar até ela, pegamos um barco e seguimos rio adentro. A estação fica numa boia, no meio do rio, numa região que a gente chama de estuarina, recebe a água doce e a água salgada. E aqui acompanhei a medição feita pela equipe de monitoramento. O resultado: água própria para o consumo após o tratamento. Todos os dados são enviados para uma central, que recebe as informações e compartilha com os órgãos ambientais do Espírito Santo e de Minas Gerais também.

Eu bebi da água do Rio Doce após o tratamento. Não só eu, mas os moradores de Colatina e os funcionários da Fundação Renova também. Diante do que vi, não há desconfiança. Para ver detalhes deste trabalho, acesse o segundo capítulo da nossa websérie, aqui mesmo, no Gazeta online (www.gazetaonline.com.br/riodoce).

Assinado: Bruno Faustino

 

Diários do Rio Doce


Caro Rio Doce, como é bom revê-lo!

Por Bruno Faustino

Edson Chagas

Lembro-me bem do nosso último encontro. Era novembro de 2015. Eu estava em cima da ponte bem na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais quando os rejeitos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, chegaram por aqui. Como jornalista, registrei aquele momento.

Confira a websérie:

Quase quatro anos depois, estou de volta à região. Confesso, que a sensação de estar aqui é como voltar ao passado. Mas, ao revê-lo, fico surpreso. O que vejo, hoje, lembra-me muito aquele Rio Doce que sempre via pela janela do trem de passageiros nas muitas viagens entre Cariacica (ES) e Governador Valadares (MG), minha cidade natal.

Agora, tive a oportunidade de ver que essa recuperação tem sido possível graças ao trabalho e envolvimento de muita gente. Um esforço concentrado de quase 7000 pessoas. O total desembolsado ultrapassa os R$ 6 bilhões em ações de reparação e compensação dos danos provocados pelo desastre. Um exemplo dessas iniciativas é o monitoramento da biodiversidade aquática e marinha, realizado pela Fundação Renova - criada para conduzir o processo de reparação - em parceria com mais de 30 instituições de ensino, pesquisa, empresas e ONGs. São cerca de 200 pontos de monitoramento da biodiversidade aquática e marinha na porção capixaba do Rio Doce e da região que vai da sua foz, em Regência, até Guarapari, ao sul, e Porto Seguro, na Bahia (BA), ao norte.

O total desembolsado ultrapassa os R$ 6 bilhões em ações de reparação do Rio Doce e compensação dos danos provocados pelo desastre.
O total desembolsado ultrapassa os R$ 6 bilhões em ações de reparação do Rio Doce e compensação dos danos provocados pelo desastre.
Foto: Edson Chagas

Fui convidado para conhecer este trabalho. Acompanhei parte das atividades dos pesquisadores, visiteis as cidades banhadas pelo rio em terras capixabas. Vi de perto a mobilização de jovens em comunidades ribeirinhas... Ah! Não posso esquecer do engajamento e a preocupação dos produtores rurais com a preservação de toda a bacia. Eles protegem nascentes, plantam florestas... São exemplos para todo o Brasil. Hoje, o Rio Doce é o rio mais monitorado do Brasil. São 92 pontos de acompanhamento da qualidade da água nos cursos d’água impactados em Minas Gerais e no Espírito Santo. (o rio, seus afluentes, lagoas e litoral) Mais de 1 milhão e meio de dados são gerados por ano, informações confiáveis para a recuperação da Bacia do Doce.

Eu vou mostrar isso durante todo este mês numa websérie que preparei aqui para o Gazeta Online. Uma incrível jornada, que os internautas começam a acompanhar a partir de agora. 'Simbora' nesta aventura?

PS: Amanhã conversamos mais, querido Rio Doce!

Assinado: Bruno Faustino